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Paulo Núncio: “Jean-Luc Mélenchon tem um passado trotskista”

Política
O que está em causa?
No frente-a-frente de ontem à noite, no canal Now, Paulo Núncio (CDS-PP) e Pedro Anastácio (PS) debateram os resultados da segunda volta das eleições legislativas em França. Nesse momento, o líder parlamentar dos centristas apontou que Jean-Luc Mélenchon, líder do França Insubmissa (LFI), parte da coligação de esquerda Nova Frente Popular, “tem um passado trotskista”. Verdade ou mentira?
© EPA/ANDRE PAIN

A vitória (ainda que sem maioria absoluta) da coligação de esquerda Nova Frente Popular na segunda volta das eleições legislativas em França mereceu, no debate desta segunda-feira à noite, considerações do líder parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio, que questionou a legitimidade que o líder do França Insubmissa (LFI), Jean-Luc Mélenchon, tem para assumir a governação do país. 

Nesse momento, Núncio apontou que a “situação económica e financeira de França é muito complicada”, pelo que “nomear Mélenchon como primeiro-ministro de França seria suicidário”. E elaborou: “Porque se olharmos para o programa da França Insubmissa, que é o programa de Mélenchon, tem três palavras: expropriações; nacionalizações; e aumento de impostos.”

Considerando que “esse programa seria catastrófico” para o país, o centrista recordou aqueles que terão sido os primeiros passos do candidato no mundo da política: “Estamos a falar de um senhor que tem um passado trotskista, que tem um conjunto de ideias absolutamente antiquadas.” É verdade?

De facto, um artigo publicado, em 2017, no site da universidade britânica London School of Economics – assinado por Marco Damiani, na altura professor auxiliar de Ciência Política na Universidade de Perugia, em Itália –, ofereceu a sua visão sobre a “transformação de Jean-Luc Mélenchon”, que passou de um “outsider radical” a um “líder populista”.

Por essa via, recorda-se como o político, nascido na cidade marroquina de Tânger, em 1951, “era um estudante universitário durante os protestos franceses de maio de 1968, tornando-se o líder do movimento estudantil na Universidade de Besançon”. 

Acabaria por licenciar-se em Filosofia, no ano de 1972, “mas politicamente era um ‘Lambertista’” – ou seja, um seguidor do político trotskista Pierre Lambert. Foi, além disso, “membro do movimento trotskista francês” – tendo acabado, “depois de 1971”, por aderir “ao Partido Socialista de François Mitterrand”. 

Partido esse que viria a abandonar, na sequência do referendo sobre o “Tratado que estabelece uma Constituição para a Europa”, chumbado pelos eleitores franceses em 2005. Depois disso, viria a fundar outros movimentos políticos, com o mais recente a ser, precisamente, o França Insubmissa.

Confirma-se assim o “passado trotskista” de Mélenchon, tal como afirmou Paulo Núncio.

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Avaliação do Polígrafo:

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