A decorrer na Península de Setúbal entre ontem e hoje, as Jornadas Parlamentares do PCP contaram, no primeiro dia, com intervenções de Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, e de Paula Santos, presidente do Grupo Parlamentar dos comunistas. Depois de frisar que o "desinvestimento a que a região de Setúbal tem sido sujeita é muito prejudicial", Paula Santos notou que "são necessários investimentos que são cruciais para a dinamização da capacidade produtiva, para a melhoria das acessibilidades e da mobilidade e para a garantia de direitos sociais".

A falta de profissionais de saúde é sentida especialmente, defendeu a presidente do Grupo Parlamentar, na Península de Setúbal, onde há "186.377 utentes sem médico de família, o que corresponde a 22,4% da população sem médico de família". Assim, "faltam profissionais de saúde para assegurar o adequado funcionamento dos serviços públicos, designadamente dos serviços de urgência e de urgências obstétricas - dificuldades que são do conhecimento de todos - e para garantir a realização de consultas, cirurgias, exames e tratamentos".

Paula Santos considerou ainda serem necessários "novos centros de saúde como na Quinta do Anjo, aqui em Palmela, no Feijó, em Almada; no Alto Seixalinho, no Barreiro; nos Foros da Amora e na Aldeia de Paio Pires, no Seixal; na Quinta do Conde em Sesimbra, na Bela Vista e no Bairro do Liceu, em Setúbal. Tardam os investimentos nos cuidados hospitalares, como a construção do Hospital no Seixal, a ampliação do Hospital de São Bernardo, a requalificação e ampliação do Hospital Garcia de Orta e a construção do novo Hospital Montijo-Alcochete".

Os números mais recentes, disponíveis no portal Transparência do SNS, indicam que havia, em maio, um total de 834.758 utentes inscritos nos Agrupamentos dos Centros de Saúde de Almada/Seixal, Arco Ribeirinho e Arrábida, as três zonas pertencentes ao distrito de Setúbal. Um total de 191.026 desses utentes não tinha médico de família atribuído, ou seja, 22,8%. Comparativamente ao mês de abril deste ano, houve em maio mais 2.202 utentes inscritos e mais 5.552 utentes sem médico de família.

Ora, de acordo com os Censos de 2021, o distrito de Setúbal registava um total de 874.926 habitantes. Contas feitas, o número de utentes sem médico de família corresponde a cerca de 21,8% do total da população residente em Setúbal. A proximidade entre os números apurados pelo Polígrafo e os destacados por Paula Santos é evidente, sendo que pode ter havido uma distorção nos dados provocada pela data de consulta dos mesmos. A alegação da comunista é assim classificada como factualmente correta.

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