A denúncia foi feita no Facebook, através de um vídeo (baseado em áudio e respetiva transcrição) que supostamente revela a gravação de uma comunicação entre um "Carro Patrulha" e um "Centro Operacional".

"Desloque-se à avenida da Quinta Grande, ali junto à Caixa Geral de Depósitos. Há a notícia de que se encontram quatro indivíduos no local a efetuar roubos aos transeuntes que se deslocam à caixa multibanco. A informação que nos chega é que os suspeitos estão na posse de armas brancas e de fogo", afirma-se a partir do "Centro Operacional"

Ao que o "Carro Patrulha" responde da seguinte forma: "Este posto informa que não se vai deslocar a essa ocorrência e inicia o protesto que está programado. Mais informa que, a partir deste momento, não iremos sair mais da esquadra, nem responder às chamadas dessa central, até serem tomadas medidas que garantam o nosso respeito, a nossa dignidade, e a nossa valorização".

A comunicação, publicada na página do "Movimento Zero" que é formado por agentes da PSP e militares da GNR, dá a entender que um conjunto de polícias recusou deslocar-se a uma ocorrência, mesmo havendo relato da presença de assaltantes armados, como forma de protesto pelas condições laborais.

Confirma-se a veracidade desta história?

Em primeiro lugar, importa localizar a ocorrência e perceber se aconteceu com elementos da GNR ou da PSP. Tendo em conta a referência dada na gravação sobre o local - "avenida da Quinta Grande, ali junto à Caixa Geral de Depósitos" -, o assalto estaria a ocorrer na avenida da Quinta Grande, em Alfragide, a única no país (com esta denominação, entenda-se) onde existe uma agência do banco público.

Ora, no local em causa, quem toma conta das ocorrências é a PSP. Contactada pelo Polígrafo, a PSP nega a autenticidade do episódio: "Toda a descrição da ocorrência não tem correspondência com alguma ocorrência real registada pela central do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa". Além disso, fonte oficial da PSP afiança que a gravação também não é verdadeira, uma vez que "o registo de voz do suposto operador não corresponde a nenhuma dos polícias em funções no Centro de Comando Operacional".

Em bom rigor, na publicação também não se indica de forma explícita que a gravação é autêntica. Na descrição do vídeo refere-se apenas que "vamos exigir respeito, vamos exigir dignidade, vamos exigir valorização". Ainda assim, a percepção de muitos utilizadores é de que se trata de um caso verídico, tendo em conta as palavras de solidariedade ou de discórdia que foram deixadas na caixa de comentários do post, relativamente à suposta atitude dos polícias em causa. O Polígrafo tentou contactar o "Movimento Zero" para obter mais esclarecimentos, mas não obteve resposta.

Em conclusão, é falso que uma patrulha da PSP tenha recusado deslocar-se a um assalto, em Alfragide, onde os suspeitos estariam a assaltar pessoas junto a uma caixa multibanco, com recurso a armas brancas e de fogo, como forma de protesto. Apesar de parecer autêntica, a gravação utilizada para denunciar o episódio resulta de uma criação multimédia para ilustrar o descontentamento de alguns polícias em relação às condições de trabalho.

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Avaliação do Polígrafo:

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