Na imagem exibe-se uma proposta de resolução registada na página do Parlamento Europeu, datada de 23 de setembro de 2021, "sobre a criação de um fundo europeu de compensação para as vítimas das 'vacinas contra a Covid-19'".

A partir dessa imagem, numa das várias publicações detectadas pelo Polígrafo, comenta-se: "Na sequência das teorias da conspiração, o Parlamento Europeu vota uma proposta de resolução para indemnizar as vítimas da vacinação [contra a] Covid-19. Mas é tudo mentira, está bem! Tomem lá a terceira ou quarta dose que vai tudo ficar bem".

A proposta de resolução existe (pode consultar aqui), mas foi apresentada por uma eurodeputada a título individual e não será votada ou sequer debatida no Parlamento Europeu.

Questionada pela Maldita.es, plataforma espanhola de fact-checking, a Comissão do Ambiente, da Saúde Pública e da Segurança Alimentar do Parlamento Europeu informou que, no dia 27 de outubro, foi decidido não dar seguimento à proposta de resolução em causa.

Tratou-se de uma iniciativa de Virginie Joron, eurodeputada francesa da União Nacional, um partido de extrema-direita que é liderado por Marine Le Pen.

No respetivo texto alega-se que a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) "já registou cerca de um milhão de casos de reações adversas na sequência da injeção de vacinas contra a Covid-19" e que "estes efeitos secundários são, por vezes, graves", indicando como exemplo que "cerca de 75 mil pessoas terão sofrido efeitos neurológicos graves após ter-lhes sido injetada a vacina Pfizer".

Mais, Joron sublinha que "a EMA alega que, na União Europeia, as vacinas contra a Covid-19 tiveram consequências fatais para cerca de 5 mil pessoas".

É uma extrapolação abusiva a partir dos dados compilados no EudraVigilance, sistema de farmacovigilância desenvolvido pela EMA. Tal como o Polígrafo já esclareceu em vários artigos recentes, esses dados correspondem a reações verificadas após a toma das vacinas, mas não há uma correlação comprovada com a toma das vacinas.

Questionada pelo Polígrafo, fonte oficial da EMA explicou que "é essencial perceber que os efeitos secundários reportados por pacientes e profissionais de saúde descrevem reações observados após a toma da vacina. No entanto, o facto de alguém ter um problema de saúde ou até morrer, depois de tomar a vacina, não significa necessariamente que tenha como causa a vacina. Estes eventos podem ter origem, por exemplo, em problemas de saúde não relacionados com a vacinação. Para a maioria dos medicamentos, a maioria dos efeitos secundários suspeitos acabam por não ter correlação com o medicamento".

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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