“Casa da Música, Porto. Quando a tua cidade tem um edifício de arquitetura contemporânea, visitado por tantos turistas e resolves construir um mamarracho de betão (paragem do Metrobus), mesmo em frente, estragando uma das vistas principais”, lê-se numa publicação feita no Facebook no dia 5 de julho.
Para ilustrar o referido “mamarracho de betão”, é partilhada uma imagem das obras ali a decorrer. Na fotografia vê-se o edifício da Casa da Música em segundo plano e à frente a construção da paragem do Metrobus, com grades colocadas à volta do projeto.
Mas será que irá mesmo bloquear a vista para o edifício da autoria do arquiteto holandês Rem Koolhaas?
Contactado pelo Polígrafo, a gabinete da Câmara Municipal do Porto informou que “a estação prevista construir no início da Linha de BRT é similar às restantes executadas ao longo da Avenida da Boavista, cujo projeto é da responsabilidade da Metro do Porto”.
Ao que o Metro do Porto indicou que “todo o projeto do Metrobus do Porto é, desde o início, articulado com a Câmara Municipal do Porto, que licenciou toda a intervenção”.
Sobre o alegado bloqueio de vista para a Casa da Música, o Metro do Porto rejeitou tal situação alegando que “as fotografias que circulam em algumas redes sociais” mostram “imagens de obra, logo com um conjunto de redes de proteção, cofragens e outros elementos, também de segurança, inerentes à própria construção”.
Quanto à configuração final, o Metro do Porto referiu que “corresponde à imagem” da Estação Pinheiro Manso, que enviou ao Polígrafo (e que é disponibilizada abaixo), “também na Avenida da Boavista, exatamente com o mesmo desenho“.
A única coisa que poderia eventualmente bloquear a vista para a Casa da Música seria a parte superior da paragem que, pela sua configuração, não se pode afirmar que o bloqueio seria total ou de grande relevância. Ainda assim, a obra é alvo de críticas de Rui Moreira, que considera que as estações da autoria do arquitecto Álvaro Siza Vieira parecem “ter sido feitas pelo Obélix”.
“Há coisas que de facto não gosto. Se me perguntar se compreendo quer na Avenida da Boavista, quer na Marechal Gomes da Costa as estações que lá estão a ser feitas, eu não gosto. É a minha opinião, não percebo porque é que são feitas assim”, afirmou durante a Assembleia Municipal do Porto, na segunda-feira à noite.
A empresa justificou ainda que a “localização da Estação Casa da Música da Linha Boavista” decorre de “realizar interface, a 2 minutos, com a Estação de Metro da Casa da Música” com “ligação às linhas A, B, C, E, F e as futuras G (2025) e H (2026)” e também “servir a centralidade que é a Rotunda da Boavista, onde esta linha tem início”.
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Avaliação do Polígrafo:


