Adorado por muitos, odiado por outros, o Papa Francisco volta a estar nas bocas do mundo. Desta vez, devido a alegadas declarações polémicas que terá proferido, relativamente à necessidade de haver um “líder mundial” para combater a ameaça que as alterações climáticas representam. Eis um excerto do texto que tem sido profusamente partilhado no Facebook: “Papa Francisco diz que é necessário ter um líder mundial para a humanidade! Numa carta dirigida aos bispos católicos, o Papa Francisco escreveu que acredita que um novo sistema de governo global é necessário. Para o Papa, uma nova autoridade política seria responsável pela redução da poluição e pelo desenvolvimento de países e regiões pobres. Para o Papa Francisco, as mudanças climáticas são reais e perigosas, e as recentes cúpulas realizadas no mundo sobre o meio ambiente, não conseguiram atender às expectativas, pois para ele a falta de vontade política não [permitiu] alcançar acordos globais significativos: ‘As recentes cúpulas do mundo sobre o meio ambiente não atenderam às expectativas, porque, devido à falta de vontade política, elas não foram capazes de alcançar acordos ambientais verdadeiramente significativos e efetivos’, escreveu o Papa Francisco em uma encíclica”.

papa francisco

O site brasileiro de fact-checking boatos.org investigou o assunto e concluiu que, na verdade, a história agora partilhada baseia-se numa notícia de 2015 do jornal The Independent, que publicou um artigo intitulado “Papa Francisco pede novo sistema governamental global para combater as alterações climáticas”. Trata-se de um artigo bastante revelador sobre a opinião de Francisco acerca dos (fracos) esforços feitos pelos políticos para encontrar acordos reais no domínio ambiental. Também o jornal português "Público" fez uma notícia sobre o assunto.

Foi precisamente esta preocupação que levou o Papa a referir a necessidade de um “sistema governamental global” (e não de um líder global), que acredita ser a única forma de combater os efeitos daquele que considera ser “o principal desafio da humanidade”.

O facto de a encíclica em questão ter sido inteiramente dedicada a questões ambientais prova, precisamente, a apreensão de Francisco relativamente ao aquecimento global e à ineficácia das medidas já tomadas para o combater.

Não é difícil concluir, portanto, que a utilização da expressão “líder mundial” é sensacionalista, no sentido em que deturpa as palavras do líder da Igreja Católica, que nunca refere essa necessidade.

Avaliação do Polígrafo:

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