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Palestinianos entoaram máximas antissemitas em Londres, poucos dias depois dos atentados do Hamas?

Guerra Israel-Hamas
O que está em causa?
"Que se lixem os judeus. Que se lixem as suas mães. Violem as suas filhas", terão gritado militantes palestinianos em manifestação logo após os ataques do Hamas contra Israel a 7 de outubro, segundo um vídeo que está a ser partilhado nas redes sociais.

“Apoiantes da Palestina nas ruas de Londres agitam bandeiras palestinianas enquanto apelam às pessoas para violarem mulheres judias. ‘Que se lixem os judeus. Que se lixem as suas mães. Violem as suas filhas'”.

Acompanhada de um vídeo que a documenta, esta mensagem foi publicada no X (antigo Twitter) no dia 12 de outubro, fazendo crer, também pelo tempo verbal utilizado (presente do indicativo), que o protesto decorria da guerra entre o Hamas e Israel que deflagrara cinco dias antes, com o ataque terrorista no Sul do território israelita.

Para tentar perceber o rigor da informação veiculada por aquela publicação, o site de fact-checking espanhol “Maldita.es” colocou um dos frames do vídeo apresentado no TinEye – um motor de busca de imagens – e encontrou-o numa notícia do jornal “The Guardian”.

Com efeito, o jornal britânico reportou, de facto, esta espécie de manifestação informal em Londres, protagonizada por alguns alegados palestinianos a partir do interior de automóveis caracterizados com as cores da Palestina, em que eram proferidas palavras de ordem de teor antissemita, noticiando igualmente a detenção de quatro dessas pessoas.

Quando é que se realizou o protesto?

A notícia é de 16 de maio de 2021, num domingo que foi marcado por vários protestos no Reino Unido pela morte, então recente, de 139 palestinianos na Faixa de Gaza.

Assim, o protesto aconteceu mesmo, e o seu conteúdo – odioso – corresponde efetivamente ao citado pela publicação ora verificada, mas é falso que seja atual e que venha na sequência dos atentados do Hamas no Sul de Israel. Ocorreram, antes, em 2021, após uma nova onda de violência na Faixa de Gaza.

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Avaliação do Polígrafo:

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