"Médicos da Universidade de Havana, Cuba, confirmaram e demonstraram que a Covid-19 não se desenvolve em ambientes onde é utilizado 1,8 Epoxi-p-Metano, que é o componente antivirucida, anti-séptico e bactericida, a partir do Eucalyptol, mais conhecido como Eucalyptus", indica-se na publicação em causa, a qual acumula milhares de partilhas.

"Numa série de testes em ambientes pulverizados com vapor quente do Eucalyptol, esse vírus modificado não se desenvolveu e não tolerou os agentes virucidas, anti-sépticos e bactericidas desse componente que morriam completamente. Também determinou esse resultado o calor do vapor gerado pelos vapores e recomendam ter galhos de eucalipto nos quartos, ou vapores com óleo de eucalipto ou galhos para impedir a Covid-19", acrescenta-se.

Verdade ou falsidade?

A agência de notícias Reuters - em artigo de verificação de factos publicado no dia 30 de março - analisou uma série de publicações nas redes sociais com receitas de vapores quentes (obtidos a partir de óleo de menta, alho, gengibre, eucalipto, etc.) para prevenir ou até curar a infeção pelo novo coronavírus. Essas receitas não têm validade científica, ou pelo menos não está comprovado que tenham efeito na prevenção ou cura da Covid-19.

"Nem o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA nem a Organização Mundial da Saúde (OMS) sugerem a terapia com vapor recorrendo a qualquer ingrediente como sendo uma cura para o coronavírus. Um representante da CDC declarou à Reuters não ter conhecimento de quaisquer estudos científicos que demonstrem que a terapia com vapor ajuda no combate ao coronavírus", informou a Reuters.

Questionado pelo Polígrafo, o pneumologista Filipe Froes aponta no mesmo sentido, dizendo não ter conhecimento sobre "qualquer artigo científico que confirme essa informação". Na sua perspetiva, trata-se de uma informação falsa que circula nas redes sociais.

No dia 6 de março, a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA, juntamente com a Federal Trade Commission (FTC), emitiram uma carta de advertência dirigida uma empresa de aromaterapia por causa da venda de produtos para tratamento ou prevenção da Covid-19. Entre esses produtos destacava-se o óleo de eucalipto.

Nesse documento, a FDA sublinha que "não existem, até à data, vacinas, comprimidos, poções, loções, pastilhas ou outros produtos com ou sem receita médica disponíveis para tratar ou curar a doença provocada pelo novo coronavírus 2019 (Covid-19)".

Além do mais, não encontramos qualquer registo público de ligação entre a Universidade de Havana e o eucalipto, nomeadamente em estudos científicos ou demais iniciativas envolvendo a espécie de árvore em causa. Concluímos assim que a informação veiculada na publicação é falsa.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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