"Contra mitos, apresentamos factos: os imigrantes são parte importante da economia do país", destaca-se numa das publicações em causa, na página do Bloco de Esquerda no Instagram. A versão mais desenvolvida da iniciativa está patente num artigo publicado no portal "Esquerda.net", abordando, entre outros exemplos, a ideia de que os imigrantes "não gostam de trabalhar" ou "vêm para cá roubar os nossos empregos".

"Os imigrantes não gostam de trabalhar ou vêm para cá roubar os nossos empregos? Não. Apresentam taxas de atividade superiores e estão mais representados nos grupos profissionais da base, como a agricultura, alojamento e restauração ou construção. Exercem funções abaixo das suas habilitações e continuam a ter remunerações médias mais baixas", lê-se no artigo.

O Polígrafo verifica os factos.

No mais recente relatório do Observatório das Migrações, "Indicadores de Integração de Imigrantes", relativo a 2020, encontramos dados que demonstram que os trabalhadores estrangeiros continuam a estar sobre-representados nos grupos profissionais da base do mercado de trabalho português, a saber: o grupo dos trabalhadores qualificados da indústria, construção e artífices; o grupo dos operadores de instalações e máquinas e trabalhadores da montagem; e o grupo dos trabalhadores não qualificados. Metade dos trabalhadores estrangeiros encontra-se nesses três grupos profissionais.

Quanto às remunerações, à semelhança de anos anteriores, os dados dos Quadros de Pessoal do Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP) para 2018 permitem verificar o desequilíbrio existente nas remunerações base médias dos trabalhadores estrangeiros por comparação aos trabalhadores portugueses.

Em 2018, os trabalhadores estrangeiros continuavam a ter remunerações globalmente mais baixas do que os trabalhadores portugueses registados nos Quadros de Pessoal (-5,4%), contrariando a tendência dos últimos anos de diminuição da discrepância remuneratória entre os dois grupos (-7% em 2013, -8% em 2014, -5,1% em 2015, -4,5% em 2016 e -2,6% em 2017). 

"Embora se pudesse considerar que as diferenças nas remunerações refletem globalmente a maior associação dos estrangeiros aos grupos profissionais da base e alguma não utilização das habilitações desses trabalhadores no mercado de trabalho português, na realidade, se as remunerações dos trabalhadores estrangeiros forem comparadas com as remunerações do total de trabalhadores para os mesmos grupos profissionais e os mesmos níveis de habilitações, continuam a verificar-se discrepâncias que importa caracterizar", salienta-se no relatório do Observatório das Migrações.

Em contraste e mantendo a tendência de anos anteriores, nos grupos profissionais de topo, os trabalhadores estrangeiros estão sub-representados: em 2018, os grupos profissionais respeitantes aos dirigentes e aos especialistas de atividades científicas concentravam apenas 7% dos trabalhadores estrangeiros registados nos Quadros de Pessoal, menos oito pontos percentuais relativamente aos trabalhadores portugueses.

Quando falamos de habilitações, há duas linhas diferentes a ter em conta: uma que sobe, deixando os trabalhadores estrangeiros com habilitações superiores com remunerações base mais elevadas, em média, do que os trabalhadores portugueses com as mesmas habilitações; e uma outra que desce, fazendo com que os trabalhadores estrangeiros com baixas habilitações apresentem remunerações base mais baixas do que as dos trabalhadores portugueses com habilitações similares.

No primeiro caso, mais 23,7% para trabalhadores estrangeiros com doutoramento, mais 21,5% para trabalhadores com mestrado e mais 15% para aqueles com licenciatura. No segundo caso, menos 5,4% para trabalhadores estrangeiros com habilitações inferiores ao 1º ciclo do ensino básico, menos 10,9% pra trabalhadores estrangeiros com o 1º ciclo do ensino básico, menos 5,9% com o 2º ciclo e menos 6,2% com o 3º ciclo.

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Avaliação do Polígrafo:

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Falso
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