"Cálculos divulgados por associações de cientistas revelam que 100 bombas nucleares dos Estados Unidas da América (EUA) estão instaladas na Europa. E a confirmar-se a transferência de engenhos desse tipo da Ásia Menor, na Turquia, para território europeu, presumivelmente Itália, dentro em breve haverá 150 bombas atómicas em Estados-membros da União Europeia", salienta-se no texto da publicação em causa.

"Claro que não serão precisas tantas para liquidar o planeta e a humanidade, tornando a ameaça das alterações climáticas uma redundância. Mas os EUA e, pelos vistos, os dirigentes europeus gostam que os povos estejam reféns de estratégias de terror", conclui-se.

É verdade que os EUA têm 100 bombas nucleares instaladas em território europeu?

Em meados de abril de 2019 foi publicado um relatório oficial da NATO, intitulado da seguinte forma: "Uma nova era para a dissuasão nuclear? Modernização, controlo de armas e forças nucleares aliadas".

Esse relatório acabou por ser alterado e republicado. No entanto, o jornal belga "DeMorgen" recuperou uma parte do documento que foi apagada, precisamente com informação sobre a instalação de armas nucleares dos EUA em território europeu.

"No contexto da NATO, os EUA vão implantar aproximadamente 150 armas nucleares, especificamente bombas de gravidade B61, na Europa, para utilização em aeronaves dos EUA e dos Aliados. Estas bombas estão armazenadas em seis bases europeias e dos EUA - Kleine Brogel na Bélgica, Büchel na Alemanha, Aviano e Ghedi-Torre na Itália, Volkel nos Países Baixos e Inçirlik na Turquia", destaca-se nessa parte do documento que foi apagada na segunda versão.

As B61 são bombas termonucleares norte-americanas, caracterizadas por serem leves e aerodinâmicas. Foram projetadas no Laboratório Nacional de Los Alamos, em 1961, e o primeiro exemplar foi construído entre 1965 e 1968. Ao longo dos anos têm sido criadas novas versões deste dispositivo. Segundo a Federação dos Cientistas Americanos, a versão B61-12 chegou às cinco bases localizadas na Europa em 2018, "com capacidades melhoradas".

Contactado pelo Polígrafo, Carlos Branco, major-general e investigador do Instituto Português de Relações Internacionais, confirma a instalação das referidas armas nucleares em bases europeias, remetendo para documentos da NATO como o que mostramos na imagem anterior.

Em suma, a publicação em análise difunde informação verdadeira.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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