O sistema respiratório é um dos principais pontos de ataque do novo coronavírus. Por isso, as pessoas com doenças respiratórias crónicas surgiram como um dos principais grupos de risco desde que a pandemia começou. Se por um lado existe o receio de o SARS-CoV-2 desenvolver uma forma de doença mais gravosa entre os asmáticos, por outro há também o medo de a asma ser uma condição que aumenta a possibilidade de contaminação pelo vírus.

Para a Direção-Geral da Saúde (DGS), os asmáticos são um grupo de risco, assim como os restantes doentes crónicos com doença pulmonar. O isolamento social é a principal forma de prevenção e, por isso, a DGS disponibilizou um conjunto de recomendações especializadas para doentes asmáticos: “só sair de casa se for estritamente necessário”, evitar “contacto próximo com pessoas”, “manter sempre a terapêutica que cumpre regularmente” e seguir as “regras de higiene e etiqueta respiratória”. Em caso de agravamento da asma, o doente deverá “iniciar a medicação SOS que usa em crises e contactar o SNS24”. Caso identifique sinais e sintomas da Covid-19, deverá permanecer em casa e contactar o mesmo serviço de saúde por telefone, aconselha ainda a DGS. Dentro dos grupos de risco estão ainda idosos, doentes crónicos e pessoas com o sistema imunitário comprometido.

Até ao momento, não existem dados ou estudos científicos que comprovem de forma cabal que os asmáticos tenham uma especial propensão para  contrair Covid-19. O vírus é ainda muito recente e há poucos artigos científicos sobre este assunto. Rita Gerardo, pneumologista no Hospital de Santa Marta e coordenadora da comissão de alergologia respiratória da Sociedade Portuguesa de Pneumologistas (SPP), afirmou ao Polígrafo que, “à luz do conhecimento atual, não parece que os doentes com asma tenham maior risco de contrair a infeção por SARS-CoV-2”.

Também Carlos Cordeiro Lopes, pneumologista especialista em alergologia respiratória, avança que ainda não há conclusões sobre “se os doentes respiratórios têm maior risco de apanhar a infeção por coronavírus”. No entanto, quando contraem a doença, já se sabe que  “as consequências podem ser mais gravosas, nomeadamente [a doença] ter uma evolução pior”. O aumento da gravidade da Covid-19 em asmáticos não é uma opinião unânime e a falta de estudos contribui para as dúvidas que existem sobre este assunto. O que se sabe, fruto da experiência com outras infeções virais, é que pode desencadear a agudização da asma.

Carlos Cordeiro Lopes, pneumologista especialista em alergologia respiratória, avança que ainda não há conclusões sobre “se os doentes respiratórios têm maior risco de apanhar a infeção por coronavírus”, no entanto, “as consequências podem ser mais gravosas, nomeadamente [a doença] ter uma evolução pior. No entanto, quando contraem a doença, já se sabe que  “as consequências podem ser mais gravosas".

“Uma inflamação provocada pela infeção viral – o que acontece também com outras infeções virais, como por exemplo a gripe – leva a uma exacerbação da asma”, esclarece Cordeiro Lopes, acrescentando que “se a infeção é grave, depois da exacerbação da asma pode ter uma evolução mais complicada do que a de um indivíduo saudável que apanhe Covid-19”.

O risco pode aumentar se o doente asmático tiver uma forma mais grave da doença ou não tiver esta condição respiratória controlada. “Um doente com asma tem de ter sempre o objetivo de ter a doença controlada. Se não tiver, há maior risco de crises, exacerbação ou agudização e isso pode fazer com que o doente tenha de recorrer aos serviços de saúde presencialmente, aumentando o risco [de contágio], uma vez que pode estar em contacto com o vírus”, sublinha Rita Gerardo.

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Créditos: Pixabay

No entanto, a pneumologista, baseando-se nos dados do Centro Hospitalar de Lisboa Central – do qual faz parte o Hospital de Santa Marta – avança que, até ao momento, parece não haver evidências de que a Covid-19 se desenvolva de forma mais grave neste grupo em particular. “Não parece que os doentes com asma tenham maior probabilidade de estar no grupo de doentes que precisam de cuidados intensivos”, esclarece acrescentando que pode ser “difícil perceber se a dificuldade em tratar uma crise de asma pode ser por causa deste vírus ou simplesmente porque o doente tem uma agudização”.

“Um doente com asma tem de ter sempre o objetivo de ter a doença controlada. Se não tiver, há maior risco de crises, exacerbação ou agudização e isso pode fazer com que o doente tenha de recorrer aos serviços de saúde presencialmente, aumentando o risco [de contágio], uma vez que pode estar em contacto com o vírus”, sublinha a pneumologista Rita Gerardo.

Segundo dados do Centro Europeu para o Controlo e Prevenção da Doença(ECDC, na sigla inglesa), publicados a 23 de abril, os doentes asmáticos representavam 0,8% dos casos de Covid-19 não hospitalizados, 2,5% dos hospitalizados, 2,9% dos que estariam entre os casos hospitalizados graves e 3,5% dos óbitos causados pelo coronavírus. Ou seja, 9,7% do total dos casos de Covid-19 na Europa foram identificados em pessoas asmáticas. Este valor é semelhante à percentagem de doentes com asma na União Europeia que, segundo um artigo publicado no European Respiratory Review, é de 8,2% nos adultos e 9,4% nas crianças.

Avaliação do Polígrafo:

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