O Polígrafo SIC visitou os estabelecimentos da Assembleia da República e constatou duas coisas:

  • De facto, os preços praticados na “Casa da Democracia” estão muito abaixo dos que são praticados no “mercado”
  • Os valores mencionados nos memes que circulam não correspondem à verdade, tendo como objetivo afectar a credibilidade das instituições públicas, apelando à revolta dos contribuintes, cujos impostos estariam a financiar os “luxos” em causa.

Na Assembleia da República há uma cantina e duas cafetarias abertas ao público geral, um café só para deputados e um restaurante situado no edifício novo também de acesso exclusivo a deputados.

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Os memes sobre o "luxo" do restaurante do Parlamento sucedem-se na internet

Na cantina, cada refeição inclui pão, sopa, prato principal e fruta e custa 4,27 euros para “funcionários parlamentares e funcionários parlamentares aposentados, pessoal dos gabinetes e da dotação dos grupos parlamentares”, todos os trabalhadores que “exerçam funções nos órgãos e serviços da Assembleia da República” e forças de segurança (GNR e PSP), explica o regulamento de acessoao serviço de refeitório, publicado em 2014. Para deputados e jornalistas o valor é de 5,80 eurose para os restantes utentes 7,30 euros.

As ementas são diversificadas, mas não incluem gambas ou caviar.

Também nas cafetarias, ambas exploradas pela mesma empresa, os preços praticados são diferentes dos que circulam pela internet.

Exemplo de pequeno almoço consumido pela jornalista do Polígrafo SIC:

Meia de leite: 35 cêntimos

Muffin: 55 cêntimos

Chocolate: 65 cêntimos

Total: 1,55 euros

Pelo almoço, a jornalista do Polígrafo SIC pagou 5,80 euros

A jornalista fez também uma refeição ligeira:

Sandes de atum: 1,10 euros

Sumo: 65 cêntimos

Total: 1,75 euros

Ao lanche, a jornalista consumiu:

  • Folhado misto (95 cêntimos)
  • Refrigerante (90 cêntimos)
  • Garrafa de água de 50 cl (40 cêntimos)

Total: 2,25 euros

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Quanto aos restaurantes dos deputados:

Segundo os menus a que o Polígrafo teve acesso, existe uma ementa diária e uma “carta de restaurante”.

No caso da ementa é seguida a mesma lógica que existe na cantina – com duas opções de sopa e quatro pratos principais – à qual se acrescentam as sugestões do dia. As sopas têm o custo de 1,09 euros, enquanto o valor do prato é de 4,66 euros, somando 5,75, menos cinco cêntimos do praticado na cantina.

Por outro lado, na “carta de restaurante” as opções são mais requintadas. O menu divide-se em “couvert”, “entrada”, “peixe”, “carne” e “sobremesa” e os preços vão dos 1,10 aos 17,20 euros. Os pratos que vão ao encontro dos referidos nos textos postos a circular na internet seriam a entrada de cocktail de camarão (que custa 6,20 euros), o arroz de tamboril com gambas (16,55, para duas pessoas) o arroz de marisco e o chateaubriand (ambos ao preço de 17,20, também para duas pessoas). Tudo preços muito acima dos que constam dos memes.

Na ementa há ainda pratos como Bacalhau cozido com todos e salmão grelhado (ambos a 6,60 euros), entrecôte “Maitre d’Hotel” (8,15), Lombo de porco “au Persil” (5,90) ou Bife à portuguesa (8,70).

Avaliação do Polígrafo SIC:

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