O post apresenta o que classifica como "três questionamentos científicos rápidos", concluindo cada qual com a seguinte pergunta retórica: "Quanto tomámos medidas parecidas?" Ou seja, sugerindo implicitamente que as medidas tomadas para conter a pandemia de Covid-19 serão injustificadas, ou desproporcionais.

Eis os três "questionamentos" ou alegações: "Os coronavírus causam 30% de todos os resfriados há décadas"; "Influenza e tuberculose têm uma alta taxa de contaminação e são potencialmente mais letais do que o SARS-CoV-2"; "Cancro e doenças cardiovasculares matam, juntos, quase 30 milhões de pessoas no mundo todo, anualmente".

Estas alegações têm fundamento?

Questionado pelo Polígrafo, Celso Cunha, virologista e professor no Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, refuta desde logo a ideia de que os coronavírus causam 30% de todas as constipações. "Os coronavírus sazonais que causam as vulgares constipações constituem cerca de 15% do total de agentes etiológicos dessa patologia", sendo que "40% a 50% das constipações são causadas pelos chamados rinovírus".

Questionado pelo Polígrafo, Celso Cunha, virologista e professor no Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, refuta desde logo a ideia de que os coronavírus causam 30% de todas as constipações. "Os coronavírus sazonais que causam as vulgares constipações constituem cerca de 15% do total de agentes etiológicos dessa patologia", sendo que "40% a 50% das constipações são causadas pelos chamados rinovírus".

As restantes, indica, "são causadas por uma panóplia de outros vírus que podem causar patologias respiratórias mais ou menos graves, como alguns adenovírus e outros".

A taxa de transmissão, ou o R (t) do vírus da influenza "situa-se, habitualmente entre 1,2 e 1,6". O R (t) do novo coronavírus está entre os "2,5 e 3". Ou seja, "o SARS-CoV-2 é mais transmissível do que o vírus da influenza", conclui o virologista.

Em relação à letalidade, o especialista indica que "em média morrem 400 mil pessoas devido à influenza". No caso do novo coronavírus, "apesar das medidas de contenção que também têm contribuído para a redução dos casos de influenza, já vamos em um ano e cerca de 2,5 milhões de mortos", sublinha.

Até à data, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins, EUA, o novo coronavírus foi responsável pela morte de 2,43 milhões de pessoas. Os EUA (491 mil), o Brasil (242 mil) e o México (171 mil) são os países mais afetados.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), morreram cerca de 1,4 milhões de pessoas de tuberculose em 2019 em todo o mundo. No entanto, Celso Cunha ressalva que a taxa de transmissão varia muito de país para país. "Por exemplo, o R (t) é cerca de 0,25 nos Países Baixos e cerca de mais de 4 na China (2012)". Isso deve-se parcialmente ao facto de ser uma doença "associada à pobreza", "má nutrição" e "falta de condições de higiene", entre outras características.

Os últimos dados disponíveis da OMS mostram que o cancro foi responsável por cerca de 9,6 milhões de mortes ao nível global (2018) e as doenças cardiovasculares causaram a morte de 17,9 milhões (2016). Ainda que os períodos temporais sejam distintos, nestes casos, os números indicados na publicação não parecem estar muito distantes da realidade.

De resto, como demonstrámos, a publicação difunde várias falsidades.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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