"Em 2021, os cinco maiores bancos portugueses lucram 1.510 milhões [de euros]. Eles mamam os lucros e dão-nos a comer os prejuízos", critica-se no post em causa, datado de 13 de março.

De acordo com os dados consolidados mais recentes (até 2020) da Associação Portugesa de Bancos (APB), sob o parâmetro de ativos totais, os cinco maiores bancos que operam em Portugal são os seguintes, por ordem decrescente: Caixa Geral de Depósitos, Millennium BCP, Santander Totta, Novo Banco e BPI.

No dia 11 de fevereiro de 2022, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) apresentou os resultados obtidos em 2021, destacando-se um lucro de cerca de 583 milhões de euros (crescimento de 18,7% em relação ao ano transacto).

"Foi claramente um sucesso, quer em termos de Portugal, quer em termos europeus", declarou em conferência de imprensa, em Lisboa, o presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, referindo-se ao ano em que o banco público terminou o seu plano estratégico negociado em 2017 com a Comissão Europeia.

Em sentido inverso, o lucro do Millennium BCP caiu 25% em 2021, cifrando-se em 138,1 milhões de euros. "A instituição liderada por Miguel Maya teria aumentado os lucros em 56%, neste exercício, mas teve de registar novas (e volumosas) provisões relacionadas com o caso dos créditos em francos suíços na Polónia. Mais 533 milhões em provisões que subtraíram ao resultado anual, um tormento ainda sem fim à vista", segundo informou o jornal "Observador", no dia 28 de fevereiro.

Por sua vez, o Santander Totta, presidido por Pedro Castro e Almeida, "registou um resultado líquido de 298,2 milhões de euros, o que traduz uma subida de 0,9% face a 2020. O lucro foi impactado pela constituição de uma provisão de 164,5 milhões liquida de impostos para fazer face ao processo de reestruturação do banco, no primeiro trimestre", noticiou o "Jornal Económico" no dia 2 de fevereiro.

Quanto ao Novo Banco, sob a liderança de António Ramalho, obteve pela primeira vez um resultado positivo em 2021, lucro de 184,5 milhões de euros (recorde-se que, em 2020, tinha registado um prejuízo de 1.329,3 milhões de euros). Ainda assim, como o Polígrafo já sinalizou, vai avançar com mais um pedido de capital ao Fundo de Resolução.

"O montante de compensação a solicitar com referência a 2021, no montante de 209,2 milhões de euros (valor não considerado no cálculo de capital regulamentar com referência a 31 de dezembro de 2021), teve em conta as perdas incorridas nos ativos cobertos pelo Mecanismo de Capitalização Contingente, bem como as condições mínimas de capital aplicáveis no final do mesmo ano ao abrigo do Mecanismo de Capitalização Contingente", explicou o Novo Banco em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), datado de 9 de março.

Resta o BPI, cujo lucro em 2021 quase triplicou para 307 milhões de euros, um crescimento de 192% face aos 105 milhões de euros de 2020, como anunciou o presidente executivo do banco, João Pedro Oliveira e Costa, no dia 2 de fevereiro.

"O resultado como reportado em Portugal, que inclui custos não recorrentes com reformas antecipadas e rescisões voluntárias, ascendeu a 179 milhões de euros em 2021 (66 milhões de euros no ano anterior)", sendo que o contributo da participação no BFA para o resultado consolidado foi de 106 milhões de euros (que inclui os 40 milhões de euros do dividendo de 2020 e 50 milhões de euros da distribuição de reservas reconhecidas em resultados)", informou o BPI através de comunicado.

Somando os lucros reportados pelos cinco bancos, no exercício do ano de 2021, chegamos a um total de cerca de 1.511 milhões de euros, quase idêntico ao destacado na publicação sob análise.

Estes valores podem ser confirmados nos Relatórios & Contas de cada um dos bancos, através das hiperligações que aqui disponibilizamos: Caixa Geral de Depósitos, Millennium BCP, Santander Totta, Novo Banco e BPI.

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Avaliação do Polígrafo:

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