"Muitas pessoas questionam-me por que razão é que eu utilizado estes auscultadores que têm fios, em vez de utilizar AirPods. A resposta é bastante simples, porque os AirPods estão essencialmente a cozinhar o teu cérebro com micro-ondas", afirma um "influenciador" de "auto-ajuda" e "microdosagem" (entre outros serviços e produtos) num vídeo publicado no Instagram a 2 de agosto, com o objetivo de explicar por que razão "nunca mais" vai utilizar AirPods (o modelo mais conhecido de auscultadores sem fios).

Os auscultadores sem fios "emitem níveis extremamente altos de EMF", sublinha, referindo-se muito provavelmente às ondas de campo eletromagnético de radiofrequência (RF-EMF). "Estes EMF libertam radiação. E o último lugar em que tu queres libertar radiação é no teu cérebro. Isso é essencialmente o que tu estás a fazer ao utilizar AirPods", alerta.

Como base das suas alegações, o "influenciador" remete para um artigo publicado em 2019, com o seguinte título em destaque: "Mais de 250 cientistas avisam que as EMF de dispositivos sem fios como os AirPods da Apple representam risco de cancro."

O artigo refere-se a uma carta que um grupo de cientistas enviou para as direções da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2015, expressando preocupações de segurança relativamente ao aumento da exposição humana a campos eletromagnéticos de dispositivos eletrónicos sem fios. A carta foi atualizada em 2019, para acrescentar mais signatários. Mas o facto é que não tem qualquer referência aos AirPods que só foram colocados à venda em 2016.

Além de não encontrarmos informação fidedigna quanto ao suposto perigo representado pelos auscultadores sem fios, dispositivo que nem sequer é referido na tal carta do grupo de cientistas, o "PolitiFact" (jornal norte-americano de verificação de factos) analisou este vídeo e confirmou junto de especialistas que os auscultadores sem fios emitem níveis de radiação muito abaixo do limite permitido por lei. Aliás, emitem níveis de radiação muito mais baixos do que os telemóveis.

Importa ressalvar que a exposição de seres humanos a ondas de campo eletromagnético de radiofrequência não é anódina, inofensiva, sobretudo no que concerne a exposição prolongada. No entanto, baixos níveis de RF-EMF (não-ionizantes) não representam um perigo para os humanos, segundo informa o Instituto Nacional de Serviços de Saúde Ambiental dos EUA.

Por seu lado, a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA assegura que "o consenso científico mostra que a radiação não-ionizante não é cancerígena e, nos limites ou abaixo dos limites de exposição à radiofrequência estabelecidos pela Comissão Federal de Comunicações, a radiação não-ionizante não demonstrou causar qualquer dano às pessoas".

Ora, se esta garantia se aplica aos telemóveis (ou smartphones) que emitem níveis mais elevados de RF-EMF, mais seguramente ainda se aplica aos auscultadores sem fios que emitem níveis bastante mais baixos.

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