No dia 25 de maio de 2020, em Minneapolis, EUA, um cidadão afro-americano morreu depois de ter sido detido pela polícia local. George Floyd tinha 46 anos de idade e as causas da sua morte ainda não foram cabalmente esclarecidas, mas o momento da detenção foi captado em vídeo, mostrando um agente da polícia, Derek Chauvin, ajoelhado sobre o pescoço de George Floyd, manietado no chão e visivelmente em sofrimento, ao ponto de ter exclamado: “Não consigo respirar!

A morte de George Floyd originou uma vaga de manifestações e motins em várias cidades norte-americanas, protestando contra os sucessivos casos de violência policial sobre afro-americanos. Em diversos artigos de jornais e publicações nas redes sociais tem sido traçado um paralelismo com a morte de Eric Garner, no Verão de 2014, em Staten Island, Nova Iorque, outro afro-americano que, ao ser asfixiado por um agente da polícia, gritou repetidamente: “Não consigo respirar!

Entretanto também surgiram múltiplas publicações nas redes sociais denunciando que a violência policial nos EUA atinge sobretudo os afro-americanos ou, em sentido inverso, refutando essa alegada predominância étnica entre as vítimas. O que demonstram as estatísticas disponíveis?

Desde 2015 que o jornal “The Washington Post” tem registado todos os casos de mortes por disparos de agentes da polícia em serviço nos EUA. Estes dados não englobam os casos de mortes por outras causas, nomeadamente o estrangulamento ou asfixia, mas não deixam de representar um indicador relevante no que concerne à violência policial resultando em vítimas mortais.

No ano passado foram registadas 1.011 mortes por disparos de agentes da polícia, totalizando mais de 5.000 casos desde o início de 2015. Ou seja, verifica-se uma média estável de cerca de 1.000 mortes por cada ano.

De acordo com os dados do referido jornal, entre as vítimas contaram-se 2.385 brancos, 1.254 negros e 878 hispânicos. Em termos absolutos, os brancos representaram quase metade das vítimas mortais. Em proporção da respetiva população, contudo, “os negros foram mortos pela polícia a uma taxa proporcional mais de duas vezes superior à dos brancos”.

Mais concretamente, os negros ou afro-americanos representam cerca de 13% (42 milhões) da população total (328 milhões) dos EUA, pelo que as 1.254 vítimas mortais de disparos da polícia equivalem a 30 mortes por cada milhão de cidadãos. Por seu lado, os brancos representam cerca de 76% (197 milhões) da população dos EUA, pelo que as 2.385 vítimas mortais de disparos da polícia equivalem a 12 mortes por cada milhão de cidadãos.

Há outras bases de dados que, apesar de ligeiras variações nos números, apontam no mesmo sentido: em termos absolutos, os brancos representam a maior parte das vítimas mortais de disparos da polícia; em proporção da respetiva população, contudo, os afro-americanos são mortos pela polícia a uma escala superior, mais do dobro.

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