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Onze meses depois, Rita Matias repete mentira sobre paragem da flotilha em Ibiza para criticar “‘barbie’ de Gaza”

Política
O que está em causa?
A deputada do Chega tem sido um dos principais rostos do partido e está na linha da frente na partilha de desinformação. Nos últimos dias, foram vários os vídeos falsos divulgados por Rita Matias sobre a entrada de milhares de migrantes em Ceuta. Mas nem só de novas mentiras vivem as suas redes sociais: esta quarta-feira, onze meses depois de o Polígrafo ter desmentido a falsidade, Matias voltou a acusar a flotilha onde seguia Mariana Mortágua de ter parado em Ibiza para "dançar".
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“Lembram-se da famosa ‘barbie’ da flotilha? Depois da sua última aventura rumo a Gaza, com paragens em Ibiza para dançar, aparece agora em Ceuta entre os imigrantes a distribuir alimentos”. As palavras são de Rita Matias, deputada do Chega, que partilhou esta manhã um vídeo em que critica Hanan Alcalde, a ativista espanhola que captou atenção mediática depois de ter embarcado na Global Sumud Flotilla com destino a Gaza e que partilhou a missão com os quatro portugueses Mariana Mortágua, Sofia Aparício, Miguel Duarte e Diogo Chaves.

O foco do vídeo gravado pela deputada não é, porém, apenas essa missão humanitária, mas sim a presença de Alcalde em Ceuta, numa campanha de distribuição de alimentos aos migrantes que chegaram à região nas últimas semanas: “Este vídeo nem é propriamente sobre ela. É sobretudo sobre aquilo que ela representa, porque há uma contradição gigante no progressismo moderno sobre a qual quase ninguém quer falar, que é a colaboração que algumas mulheres ocidentais têm com tudo aquilo que pode realmente acabar por ameaçar-nos a nós mulheres.”

A mensagem continua com o já conhecido discurso anti-imigração, um alerta para o “choque de valores” e uma sugestão: “Num mundo cheio de Barbies da flotilha, escolham ser como Joana d’Arc!”

Para contextualizar este vídeo e apresentar Alcalde, Rita Matias recorreu a uma mentira com pelo menos onze meses. A de que a flotilha esteve em Ibiza, onde os seus integrantes foram gravados a “dançar”. Esta foi uma das principais teorias partilhadas durante a missão humanitária e foi desmentida por praticamente todos os jornais de verificação de factos em Portugal e Espanha (ver exemplos aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).

O Polígrafo também escreveu sobre o assunto: de acordo com o site oficial da Global Sumud Flotilla, nenhum dos barcos que fizeram parte da missão humanitária e cujo percurso está incluído na base de dados fez uma paragem na ilha de Ibiza. Houve embarcações que pararam nas ilhas de Maiorca e Menorca mas não há registos de passagens por Ibiza.

Além disso, o vídeo que supostamente ilustra a celebração é anterior à partida da flotilha e foi gravado em Barcelona, não Ibiza.

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