-
O que está em causa?Um email divulgado pela Wikileaks mostra que a administração de Barack Obama tinha uma lista de cidadãos muçulmanos e asiáticos que seriam selecionados para assumir altos cargos na Casa Branca. Excluídos ficavam todos os quem não correspondesse a essa descrição.
As redes sociais voltaram a incendiar-se com a partilha de uma história publicada em 2016 pelo jornal norte-americano Daily Caller, ligado à direita política. Em causa está a existência de uma lista de candidatos muçulmanos e asiáticos para assumir os cargos de topo da administração de Barack Obama, sendo referido que os candidatos católicos seriam excluídos.
A notícia tem como base uma troca de e-mails entre John Podesta, conselheiro do ex-presidente Obama e presidente da campanha de Hillary Clinton, e Gayle Smith, que trabalhou na Casa Branca durante a Administração de Bill Clinton e Obama. O documento está entre o conjunto de e-mails que foram divulgados pela Wikileaks pouco tempo antes das últimas eleições presidenciais norte-americanas.
O e-mail apresenta uma lista de “americanos-asiáticos e americanos-muçulmanos candidatos aos lugares de topo da administração, trabalhos de sub-gabinete, e além-fronteiras/agências/comités políticos”, que foi reunida pela advogada Preeta D. Bansal que, na altura, trabalhava com a administração de Obama.
“Entre os candidatos para os lugares de topo, eu excluí aqueles com antecedentes árabes-americanos que não são muçulmanos (ex. George Mirchel). Muitos americanos-libaneses, por exemplo, são cristãos. No fim da lista (para além-fronteiras/comissões), a maioria dos listados aparentam ser americanos-muçulmanos, exceto uma mão cheia (sinalizada) que podem ser árabes-americanos mas com religião incerta (esp. Católicos)”, pode ler-se no e-mail assinado por Bansal.
Apesar de a lista ser verdadeira, não é possível afirmar que os lugares de topo da administração Obama foram exclusivamente atribuídos a americanos-muçulmanos. Segundo a plataforma de fact-checking Snopes, entre os nomeados pelo ex-presidente dos Estados Unidos para os altos cargos estavam cidadãos com diferentes origens e credos.
O novo despertar desta história pode estar relacionado com a recente prisão de Julian Assange, fundador da Wikileaks, avança ainda o Snopes. Assange foi detido a 11 de abril de 2019, depois de a embaixada do Equador em Londres lhe ter suspendido a cidadania equatoriana.
Além disso, a preocupação em manter um gabinete que represente a realidade da população norte-americana já vem de administrações anteriores. George W. Bush, que assumiu a presidência antes de Obama, nomeou os primeiros afro-americanos a trabalhar em altos cargos na Casa Branca: Colin Powell e Condoleezza Rice.
É importante subinhar que o artigo que agora voltou a tornar-se viral foi publicado a 24 de outubro de 2016, pouco tempo antes das eleições presidenciais norte-americanas, e que o e-mail é datado de 2008, há mais de uma década.
O novo despertar desta história pode estar relacionado com a recente prisão de Julian Assange, fundador da Wikileaks, avança ainda o Snopes. Assange foi detido a 11 de abril de 2019, depois de a embaixada do Equador em Londres lhe ter suspendido a cidadania equatoriana que o protegia do mandado de captura. O fundador da Wikileaks enfrenta agora a possibilidade de ser extraditado para os Estados Unidos, onde será julgado por ter conspirado para aceder aos computadores do Pentágono em 2010.
A Wikileaks teve um grande impacto no curso da campanha eleitoral para as presidenciais norte-americanas ao divulgar os polémicos e-mails oficiais enviados por Hillary Clinton a partir da sua conta pessoal, quando desempenhava as funções de secretária de Estado.
Avaliação do Polígrafo: