Numa das gravações em vídeo pode ouvir-se Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos da América (EUA), a garantir que "ninguém sabia que haveria uma pandemia ou epidemia desta proporção". Na outra gravação pode ouvir-se Barack Obama, ex-presidente dos EUA, num discurso proferido em 2014, como que apontando no sentido inverso: "É muito provável que chegue uma doença que se transmita pelo ar e seja mortal".

Os vídeos e as respetivas citações são verdadeiros?

De facto, no dia 19 de março de 2020, Donald Trump, ao ser questionado relativamente à escassez de material médico e de testes numa conferência de imprensa, defendeu-se afirmando que "ninguém sabia que iria haver uma pandemia ou uma epidemia desta proporção. Ninguém nunca viu nada assim antes".

Não obstante, em janeiro de 2019, a Agência Central de Intelligence (CIA) dos EUA alertou que "os Estados Unidos e o mundo estão vulneráveis perante a próxima pandemia de gripe ou surto em larga escala de uma doença contagiosa. Doença essa que poderá levar a taxas maciças de morte e invalidez e afetar gravemente a economia mundial". Bill Gates, empresário e fundador da Microsoft, também já tinha alertado para essa possibilidade.

Aliás, em outubro de 2019, tal como o Polígrafo já verificou, um grupo de 15 pessoas, incluindo especialistas em Saúde, representantes da Organização das Nações Unidas (ONU), académicos e responsáveis por empresas privadas de vários países, realizaram um exercício - denominando como "Event 201" - sobre "como responderiam perante o surto de um novo vírus?"

De facto, no dia 19 de março de 2020, Donald Trump, ao ser questionado relativamente à escassez de material médico e de testes numa conferência de imprensa, defendeu-se afirmando que "ninguém sabia que iria haver uma pandemia ou uma epidemia desta proporção. Ninguém nunca viu nada assim antes".

Quanto a Barack Obama, num discurso proferido em 2014, alertou a população para a necessidade de os EUA se prepararem para uma possível pandemia. "Tivemos sorte com o H1N1 que não se mostrou mais mortal do que o esperado. Não podemos dizer o mesmo do ébola, porque obviamente está a ter um efeito devastador em África, mas não se transmite pelo ar. É muito provável que chegue uma doença que se transmita pelo ar e seja mortal", declarou o então presidente norte-americano.

"Para que possamos lidar com ela de forma efetiva, é necessária a criação de uma infraestrutura, não só aqui, mas globalmente, que nos permita isolá-la rapidamente e para que possamos responder também de forma rápida. Portanto, se ou quando uma nova estirpe de vírus, como a gripe espanhola, surgir daqui a cinco ou 10 anos, já teremos feito o investimento e estaremos adiantados para poder fazer-lhe face", sublinhou.

"É um investimento inteligente. Não é apenas seguro, é saber que vamos continuar a ter problemas como estes, particularmente num mundo globalizado em que nos movemos de um lado para o outro. Portanto, é importante agora, mas também é importante para o nosso futuro, para o futuro das nossas crianças, e para o futuro dos nossos netos", concluiu.

E confirma-se assim a veracidade dos vídeos e respetivas citações.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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