"A descoberta está contida numa pré-publicação - ainda não revista por outros cientistas - das investigações que efetuaram sobre o 2019-nCoV. Entretanto, outros especialistas recordam que o tratamento com medicamentos contra o HIV de doentes vítimas da epidemia na China tem registado alguns êxitos", salienta-se no texto da publicação em causa, sob o seguinte título: "Coronavírus tem estrutura manipulada".

"Apesar dos condicionalismos existentes ainda em torno da investigação indiana, mas tendo a certeza de que o assunto não cabe na comunicação social corporativa, 'O Lado Oculto' faz eco desta informação para que seja integrada no quadro dos dados a reter sobre o grande e necessário debate em torno do 2019-nCoV como eventual criação humana", conclui-se.

Esta publicação foi denunciada por vários utilizadores do Facebook como sendo fake news. Confirma-se?

Questionada pelo Polígrafo, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, afirma que a suspeita veiculada na publicação "não tem fundamento até à data".

Em primeiro lugar, porque "não existe nenhum estudo que permita tirar as conclusões" supracitadas. Para além de que, alerta Graça Freitas, "há muitos artigos sem credibilidade científica".

Em segundo lugar, a diretora-geral da Saúde esclarece que "sim, podem estar a ser utilizados medicamentos contra outros vírus, como o do HIV, no combate ao Covid-19" porque "não há um tratamento específico para o coronavírus". No entanto, ao contrário do que se sugere na publicação, tal não acontece porque o coronavírus tenha sido manipulado com o vírus HIV.

De resto, Graça Freitas indica que, de acordo com os dados disponíveis, o novo coronavírus "teve origem num reservatório animal" - suspeitando-se dos morcegos - e chegou à espécie humana através de "outros hospedeiros", o que inviabiliza a teoria de que se trata de uma criação humana.

Concluindo, a publicação sob análise está a difundir teorias sem fundamento científico e falsidades, gerando alarme social e reproduzindo desinformação.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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