"E a maneira de combatê-lo, ou seja, a sua cura, é com os 'antibióticos, anti-inflamatórios e anti-coagulantes'. Aspirina, indicando que esta doença foi mal tratada. Esta notícia sensacional para o mundo foi produzida por médicos italianos, realizando autópsias em cadáveres produzidos pelo Covid-19. Algo mais, de acordo com patologistas italianos, 'os ventiladores e a unidade de terapia intensiva nunca foram necessários'", acrescenta-se na mensagem da publicação, cuja fonte é atribuída ao "Ministério da Saúde da Itália".

Partilhada por centenas de pessoas nas redes sociais, esta mensagem tem alguma sustentação factual ou validade científica?

Não. Quase todas as alegações da mensagem são claramente falsas. Não encontramos qualquer informação proveniente do Ministério da Saúde de Itália que aponte minimamente no sentido de tais alegações.

Não há qualquer indicação, ao nível global, de que o novo coronavírus SARS-CoV-2 seja afinal uma bactéria. Nem que os "antibióticos, anti-inflamatórios e anti-coagulantes", além da aspirina, sejam uma cura para a doença Covid-19.

No que concerne à referida "coagulação intravascular disseminada (trombose)", há registo de alguns casos associados a infetados com o novo coronavírus. Aliás, o Polígrafo já analisou outra publicação com essa alegação, mas apontando para uma cura ligeiramente diferente.

No âmbito desse artigo, datado de 4 de maio, Tiago Alfaro, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) e professor de Pneumologia na Universidade de Coimbra, admitiu que "várias pessoas que têm estado envolvidas no tratamento de doentes com Covid-19 têm referido um aumento do risco de tromboses". No entanto, ressalvou que se trata de uma “discussão informal, normalmente com menos dados científicos”.

"A confirmar-se pelos estudos científicos, essa é outra face da doença. Continua a ser uma pneumonia que causa infeção respiratória com insuficiência respiratória grave e mortalidade significativa por insuficiência respiratória. Como é normal, se nós olharmos para qualquer vírus, os efeitos nunca são apenas limitados apenas a um órgão. Acaba por haver outro tipo de manifestações", esclareceu o vice-presidente da SPP, salientando que também já foram identificados outros impactos do coronavírus no sistema digestivo e nos vasos sanguíneos.

Por seu lado, Filipe Froes, pneumologista e coordenador do Gabinete de Crises da Ordem dos Médicos, explicou que "o mecanismo fisiopatológico da doença provocada pelo novo coronavíru" ainda não é conhecido com precisão, mas sabe-se que "há um extenso envolvimento pulmonar e que, também no decurso da doença, podem ocorrer fenómenos de alterações da coagulação. Estes dados não permitem, na minha perspetiva, dizer que a causa da doença é de foro trombo vascular e não pulmonar".

"Nós sabemos que à medida que a gravidade da doença aumenta vamos encontrar alterações da coagulação e que inclusivamente, em determinados estádios mais avançados, há indicação para a utilização terapêutica anti-coagulante. Mas não é para excluir a pneumonia. Existe na mesma uma pneumonia, existe na mesma uma extensa lesão inflamatória pulmonar associada a essas alterações a nível vascular", concluiu Froes.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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