Tal como é apresentada, a notícia é a repetição de um lugar comum: um filho rico e mimado de uma estrela de televisão que, no final de uma noite de álcool e drogas, destrói um carro, encontrando-se totalmente embriagado.

Nesta história, o protagonista é Vinicius Bonner, filho dos apresentadores da estação de televisão Globo, William Bonner e Fátima Bernardes. Segundo a narrativa largamente partilhada sobretudo através do WhatsApp, que no Brasil tem cerca de 130 milhões de utilizadores, o jovem terá atropelado – e deixado paraplégica - uma pessoa. Mais: que a Globo, estação de que o seu pai é uma das figuras cimeiras, terá ignorado totalmente o assunto para proteger William Bonner.

A informação parece ter tudo para ser credível: vem acompanhada de fotos do acidente, bem como da carta de condução de Vinicius, que segundo alguns relatos se encontrava já fora de validade.

Este é o rumor. Agora a verdade:

De facto, Vinicius Bonner teve um acidente muito grave em janeiro de 2017 – e não agora, como pretendem fazer crer as imagens distribuídas. No sinistro, que ocorreu no Rio de Janeiro, o seu automóvel chocou contra um camião, tendo ficado severamente danificado. Mas o pior mesmo foi o facto de Giuliano Castro, um amigo que seguia consigo, ter ficado sem movimento nas pernas (ainda hoje se encontra em recuperação).

William Bonner
A informação foi partilhada intensamente nas redes sociais

Segundo o relato dos agentes de polícia que foram chamados ao local, citado pelo e-farsas, que verificou a validade da informação, o filho da vedeta brasileira não se encontrava sob o efeito de qualquer droga no momento do acidente – isso mesmo o comprovaram os testes de sangue realizados. Também a sua carta de condução se encontrava legal: apesar de estar vencida, encontrava-se ainda dentro do prazo de 30 dias que a lei brasileira confere para a renovação sem multa.

No depoimento que fez à polícia, Vinicius afirmou que tinha ficado convencido de que o camião lhe dera passagem e, por isso, iniciou a manobra de travessia. Instantes depois, sentiu o choque da colisão e seu carro derrapou na estrada, atingindo um terceiro veículo.

Quanto às alegações segundo as quais os meios de comunicação social “abafaram” o caso, também não têm sentido, uma vez que foram vários (como se pode constatar aqui, aqui e aqui) os que noticiaram o caso.

Avaliação do Polígrafo:

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