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O “fenómeno Aphelion” vai provocar descida das temperaturas até agosto?

Sociedade
O que está em causa?
Nas redes sociais alerta-se para a iminência de um fenómeno provocado pelo maior distanciamento da Terra em relação ao Sol que terá consequências ao nível climatérico e também para a saúde humana. Ou não passa de um mito, sem qualquer sustentação científica?
© Shutterstock

Muito mais frio daqui até agosto, lembre-se: a partir de amanhã às 05:27 horas vivenciaremos o fenómeno Aphelion”, alerta-se em múltiplas publicações no Facebook e redes sociais. Isto porque supostamente “a Terra estará muito longe do Sol”.

Como assim? “Não podemos ver o fenómeno, mas podemos sentir o seu impacto. Isso vai durar até ao mês de agosto. Teremos tempo frio, mais do que sempre frio, o que resultará em gripe, tosse, dificuldade para respirar, etc. (…) A distância da Terra ao Sol é de 5 minutos-luz ou 90 milhões de quilómetros. O fenómeno Aphelion afasta-nos 152 milhões de quilómetros do Sol, ou seja, 66% mais longe”, explica-se no texto partilhado viralmente nos últimos dias.

Este alerta tem sustentação científica?

Não passa de um mito que se tem propagado nas redes sociais ano após ano, no início do Verão.

Em maio de 2022, o Polígrafo já tinha verificado estas alegações, com a ajuda do comentador de ciência Miguel Gonçalves, que esclareceu então que o Aphelion (ou Afélio) “não é um fenómeno” e não tem qualquer influência no clima ou nas estações do ano.

O mesmo se aplica às supostas consequências para a saúde humana.

Miguel Gonçalves indicou que “na órbita que a Terra descreve à volta do Sol há uma altura em que estamos mais próximos e outra em que estamos mais afastados do Sol” e que, nesse sentido, “o ponto e o instante em que estamos mais próximos do Sol é chamado periélio, enquanto o ponto e o instante mais afastado do Sol é o afélio“.

Isto acontece, segundo Gonçalves, “porque as órbitas dos planetas à volta do Sol não são um círculo perfeito; são elipses“.

Além disso, e como se comprova pelas publicações recorrentes, o Afélio acontece “todos os anos, mais ou menos por volta da mesma altura”. Ou seja, “não é nenhum fenómeno raro, nem é nenhuma coisa esotérica”.

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Avaliação do Polígrafo:

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