"Urgente! Muito importante! Médicos de Milão recomendam uso de apenas um par de sapatos para sair de casa e deixá-los fora da porta porque o vírus parece poder permanecer por nove dias no chão/asfalto. Daí as imagens dos chineses [a] desinfetarem as ruas e já estão começando a desinfetar em Milão", alerta-se na publicação em causa, pedindo no fim que "repassem esta boa regra!"

Verdade ou falsidade?

No âmbito de um estudo publicado no "The New England Journal of Medicine", a 17 de março de 2020, intitulado como "Aerosol and Surface Stability of SARS-CoV-2 as Compared with SARS-CoV-1" (tradução livre: estabilidade em aerossol e superfície do SARS-CoV-2 em comparação com o SARS-Cov-1), efetuou-se uma comparação entre o comportamento do novo coronavírus (SARS-CoV-2) e o do seu antecessor (SARS-CoV-1) em cinco ambientes distintos.

De acordo com os resultados da experiência, o novo coronavírus consegue sobreviver até 72 horas em superfícies como o plástico e o aço. Em papelão, após 24 horas já não existiam vestígios do vírus. Relativamente ao cobre, quatro horas foram suficientes para que não resistisse.

Não encontramos nenhum estudo que demonstre que o novo coronavírus SARS-CoV-2 permaneça durante nove dias no chão/asfalto, como se alega na publicação em análise. Há porém um outro estudo, de 6 de fevereiro de 2020, que incidiu apenas sobre os anteriores coronavírus e também não efetuou testes no asfalto.

Em suma, a alegação não tem sustentação factual ou científica, pelo menos de acordo com os dados que estão disponíveis atualmente.

Importa contudo ressalvar que é prematuro estabelecer conclusões definitivas sobre o novo coronavírus, estando ainda em curso diversas investigações e estudos sobre as características do mesmo. De qualquer modo, as autoridades de saúde pública recomendam procedimentos de desinfeção e higiene regulares de forma a reduzir a possibilidade de contágio.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações “Falso” ou “Maioritariamente Falso” nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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