Na rede social X, um “tweet” que já ultrapassa as 10 mil visualizações enumera dez organizações que usam indevidamente o capital que lhes é atribuído pelo Estado. No topo da lista surge o grupo de ativistas português Climáximo, classificado pelo autor do post como uma ONG que “organiza protestos para bloquear o aeroporto de Lisboa e prega ‘resistência civil’ contra combustíveis fósseis e turismo”. Supostamente o coletivo terá recebido 50 mil euros em 2020 através de uma subvenção do Active Citizens Fund (um fundo gerido pelo Estado, segundo a publicação) e continua a receber entre 20 e 50 mil euros anuais. Confirma-se?
O “Active Citizens Fund” (também conhecido como “Programa Cidadãos Ativ@s”) é um fundo com um orçamento de 11 milhões de euros que entrou em vigor a 9 de julho de 2018. Não está, porém, sob gestão do Estado: foi a Fundação Calouste Gulbenkian, em consórcio com a Fundação Bissaya Barreto, que geriu o programa até 25 de julho de 2025, data em que a Gulbenkian anunciou o seu encerramento formal.
Contactada pelo Polígrafo, fonte oficial do Climáximo confirmou que o grupo não é uma ONG, mas sim “um coletivo informal de pessoas que lutam por justiça social e pela manutenção das condições básicas para a existência de vida”.
Quanto ao financiamento público, o coletivo não deixa margem para dúvidas: “Nenhum dos projetos que integrámos em 2020 estava a ser financiado pelo EEA Grants ou por qualquer fundo estatal. Não recebemos dinheiro de fundos estatais ou geridos por Estados.”
Uma informação que se confirma ao consultar o Programa Cidadãos Ativ@s, que disponibiliza para consulta uma lista dos 183 projetos aprovados com financiamento do fundo. Nenhum deles refere ou indica o Climáximo como promotor.
Posto isto, o coletivo considera que, apesar de uma “cultura de reutilizar, reaproveitar, poupar recursos e encontrar soluções criativas e comunitárias”, há custos que não consegue evitar. Segundo o Climáximo foram angariados, nos últimos anos, “cerca de 25 mil euros para pagar as multas” dos 114 apoiantes do coletivo constituídos arguidos e identificados. Estas doações são públicas e, atualmente, estimam-se custos legais no valor de 200 mil euros.
Por último, o autor da publicação indicou que os valores apresentados se baseiam em estimativas aproximadas feitas pelo Grok, o algoritmo de inteligência artificial (IA) do X. Quando questionado pelo Polígrafo sobre os 50 mil euros alegadamente destinados ao Climáximo, o próprio chatbot respondeu: “Não existem provas publicamente disponíveis que sustentem a alegação de que a Climáximo tenha recebido 50.000 euros (ou qualquer subvenção desse valor) em 2020 proveniente de uma subvenção do EEA ou do Fundo dos Cidadãos Ativos (Programa Cidadãos Ativ@s em Portugal).”
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Avaliação do Polígrafo:



