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“O carniceiro do Irão não deixará saudades.” Embaixador de Israel na ONU exibiu este cartaz após morte de Ebrahim Raisi?

Internacional
O que está em causa?
Imagem partilhada viralmente nas redes sociais mostra - supostamente - o embaixador de Israel na Organização das Nações Unidas (ONU), Gilad Erdan, a celebrar a morte do presidente do Irão, Ebrahim Raisi, na sequência da queda de um helicóptero, junto à fronteira com o Azerbaijão.

“O embaixador de Israel, Gilad Erdan, hoje, nas Nações Unidas, levantou um cartaz com os seguintes dizeres: “o carniceiro do Irão não deixará saudades”, lê-se numa publicação partilhada, esta semana, na rede social X, na sequência da morte do presidente do Irão, Ebrahim Raisi, no domingo passado.

A alegação viralizou nas redes sociais, após ter sido disseminada em várias línguas. Na publicação em causa, celebra-se a “excelente iniciativa”, criticando o “antro do Conselho de Segurança da ONU” por ter “feito um minuto de silêncio para homenagear o carniceiro e seus companheiros mortos”.

Mas confirma-se que o embaixador de Israel na ONU exibiu mesmo este cartaz, em comemoração pelo óbito de Ebrahim Raisi?

Não. Trata-se de uma imagem que foi editada e que deriva de um vídeo que circula já, na verdade, desde 19 de setembro de 2023, tendo sido publicado pelo próprio embaixador na rede social X – bem antes da notícia do falecimento do presidente do Irão, Ebrahim Raisi, a 19 de maio deste ano.

Na versão original do vídeo, constata-se que o cartaz apresenta uma mensagem bem diferente do que aquilo que se alega na publicação alvo de análise: “Mulheres iranianas merecem liberdade, agora!” Mensagem essa que surge acompanhada da imagem de Mahsa Amini, jovem iraniana que morreu, em setembro de 2022, quando se encontrava sob custódia policial.

O próprio embaixador, por essa via, esclarece o contexto dessa iniciativa: “Quando o presidente Raisi do Irão, o ‘Carniceiro de Teerão’, começou o seu discurso, acenei com uma fotografia de Mahsa Amini, a iraniana inocente que foi brutalmente assassinada pelo regime há um ano por não usar ‘corretamente’ o hijab.”

Conclui-se, assim, que este se trata de uma imagem manipulada, com vista a sustentar uma narrativa que está bastante longe da verdade.

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Avaliação do Polígrafo:

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