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Nuno Melo sobre eleição falhada de Aguiar-Branco: “Eu disse que não havia nenhum acordo com o CDS-PP [e não com a AD]”

Política
O que está em causa?
Horas depois de ter ajudado à morte antecipada da eleição de José Pedro Aguiar-Branco à presidência da Assembleia da República, o líder do CDS-PP nega agora ter sido um dos principais intervenientes. Nuno Melo garante ter falado em causa própria quando disse que "não havia acordo" com o Chega, mas não é isso que mostra a conversa que teve com a SIC Notícias durante a tarde de ontem.

Esta terça-feira os trabalhos prolongaram-se até depois das onze da noite na Assembleia da República: a eleição do presidente foi mesmo remarcada para esta manhã, depois de três tentativas falhadas que envolveram acordos e desacordos à direita. E até acusações de uma coligação negativa entre PS e Chega.

No início do dia de ontem era quase garantido que o nome indicado pelo PSD – José Pedro Aguiar-Branco – seria eleito com maioria absoluta, uma vez que o Chega se juntaria à direita em troca dos votos para a eleição do seu deputado Diogo Pacheco de Amorim para a vice-presidência da AR. O acordo não chegou a materializar-se. E, num vídeo partilhado ao final do dia nas redes sociais, Ventura culpou Nuno Melo e Paulo Rangel.

[twitter url=”https://twitter.com/AndreCVentura/status/1772721673030054385″/]

O líder do CDS-PP foi o único a reagir (e a desmentir) Ventura. Aos jornalistas, depois da terceira ronda de votações, Nuno Melo garantiu que as suas palavras representavam apenas o seu partido, ou seja, que falou apenas sobre a inexistência de um acordo com o CDS-PP. Mas não é verdade. As perguntas da jornalista da SIC Notícias e as respostas de Melo visam a aliança que formou com Luís Montenegro antes das eleições. Segue a sua transcrição:

Jornalista: “Tem falado também da escolha de Aguiar-Branco para presidir a Assembleia da República – é pelo menos uma votação que vai fazer hoje à tarde – e há pouco ouvíamos o líder do PSD dizer que ficou claro que a AD fez um acordo com o Chega. Não há acordo ou há acordo com o Chega sobre este nome?”

Nuno Melo: “Bom, à falta de melhor argumento político, opta-se pela ficção. Manifestamente, parece-me que seja o caso. O facto de José Pedro Aguiar-Branco ser indicado pelo PSD para uma eleição a presidente da Assembleia da República parece-me normalíssimo, tendo em conta que a AD venceu as eleições.”

Jornalista: “Mas isso já era conhecido. O que não era conhecido era o acordo com o Chega…”

Nuno Melo: “Não há acordo nenhum. Eu não tenho que comentar o que o líder desse partido diz.”

Em suma, o líder do CDS-PP falou em nome da Aliança Democrática e nunca clarificou que o acordo que disse não existir estava limitado às conversações entre o Chega e o seu partido.

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Avaliação do Polígrafo:

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