O primeiro jornal português
de Fact-Checking

Nuno Melo garante que Paulo Núncio não falou sobre necessidade de voltar a referendar a questão do aborto. É verdade?

Política
O que está em causa?
Na quarta-feira, 28 de fevereiro, o líder do CDS-PP foi instado a comentar as declarações do vice-presidente do seu partido "sobre a necessidade de voltar a fazer um referendo sobre o aborto". Em resposta a um jornalista, Nuno Melo foi taxativo: "O Paulo Núncio não disse nada disso."

As polémicas declarações de Paulo Núncio, vice-presidente do CDS-PP, sobre a questão do aborto, no contexto de um evento promovido pela “Federação Portuguesa pela Vida”, entraram de rompante esta semana na campanha eleitoral, motivando reações (e críticas) dos demais partidos.

Na quarta-feira, 28 de fevereiro, durante a visita à Bolsa de Turismo de Lisboa na FIL (quando Luís Montenegro, líder do PSD, foi atingido com tinta verde por um ativista contra as alterações climáticas), foi a vez de Nuno Melo ser confrontado com o tema “quente” que envolvia o seu partido.

Questionado por um jornalista acerca da “declaração do vice-presidente, Paulo Núncio, sobre a necessidade de voltar a fazer um referendo sobre o aborto”, Melo respondeu da seguinte forma: “Ainda bem que fala nisso, por uma simples razão: o Paulo Núncio não disse nada disso.”

Até porque esse “não é um tema que conste do acordo de coligação” da Aliança Democrática, ressalvou o líder do CDS-PP.

Tem razão ao assegurar que “o Paulo Núncio não disse nada disso”?

No referido evento da “Federação Portuguesa pela Vida”, Núncio afirmou: “É certo que, depois de a liberalização do aborto ter sido aprovada por referendo, embora não vinculativo, mas com significado político, é muito difícil reverter a lei apenas no Parlamento. Eu acho que a única forma de nós revertermos a liberalização da lei do aborto, passará por um referendo, por um novo referendo, para conseguirmos ganhar, como ganhámos em 1998.”

Posteriormente, na mesma intervenção, o antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais sublinhou que não conhece “nenhuma medida, nenhuma iniciativa que tenha sido adotada no Parlamento nos últimos anos, pelo menos nos últimos dois, no sentido de limitar o acesso ao aborto“.

“E eu acho que, verdadeiramente, nós devemos caminhar para aí”, defendeu Núncio. “Devemos ter a capacidade de tomar iniciativas no sentido de limitar o acesso ao aborto e, logo que seja possível, convocar um novo referendo no sentido de inverter esta lei, que é uma lei profundamente iníqua”.

Em conclusão, é evidente que sim, Núncio falou sobre a necessidade de voltar a referendar a questão do aborto, ao contrário do que garantiu Melo na primeira reação à polémica.

_________________________________

Avaliação do Polígrafo:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque