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Número um do Chega às europeias, associado nas redes sociais a currículo “putinista”, negou a Guerra na Ucrânia?

União Europeia
O que está em causa?
Um a um, os candidatos às eleições europeias não escapam ao escrutínio. Menos ainda se as suas posições no que respeita à guerra na Ucrânia forem de negação, como é o caso do cabeça-de-lista do Chega.
© António Cotrim/Lusa

A pouco mais de um mês das eleições europeias, as redes sociais dedicam-se a escrutinar as apostas dos vários partidos. No Chega, António Tânger Corrêa é o mais polémico (considerado até um “problema insanável”). “Por muito que coloque pessoas estimáveis e com CV assinalável na lista, o seu número um é um putinista e adversário do Ocidente e dos aliados. E que reforça a pertença ao grupo político europeu mais putinista da UE. Essa mancha é tão encardida que não sai”, destaca um “tweet” publicado na última segunda-feira, 29 de abril.

Conhecida a posição do Chega sobre a guerra na Ucrânia, é possível que a cara principal do partido nestas eleições europeias tenha suportado a investida russa?

António Tânger Corrêa é polémico: já o foi nas redes sociais (de onde apagou o seu rasto); já o foi com textos copiados na íntegra; e até já voltou atrás em algumas opiniões. É vice-presidente de um partido que apoia incondicionalmente a Ucrânia, mas já “afirmou” não acreditar que “a Rússia tenha a intenção de ocupar militarmente a Ucrânia”. Guerra? “Conflito armado é a definição da situação”.

Em “posts” entretanto eclipsados das suas páginas nas redes sociais, Tânger Corrêa não se conteve. Enquanto André Ventura condenava o ataque à Ucrânia “sem reservas”, o seu vice-presidente criticava Volodymyr Zelensky, fruto de um “desastroso casting“, por “decisões irrefletidas, idiotas e perigosas”.

Num texto partilhado no Facebook a 24 de fevereiro de 2022, o ex-embaixador e cônsul-geral português manifestava ainda a sua “solidariedade com todos os ucranianos”, uma oportunidade para destacar os erros do “Governo de Kiev”, como por exemplo “a proibição do ensino da língua russa na Ucrânia” e a “solicitação”, por parte de Kiev, de “adesão da Ucrânia à NATO“, o que “poderá ser considerado uma máxima provocação à Rússia”.

O texto fora usurpado. O verdadeiro autor reclamou-o dias depois e Tânger Corrêa acabou por descrevê-lo como “copiado, mas interessante”. Nele, o autor considerava que “o Governo do Presidente Zelensky (e dos seus acompanhantes) ignorou voluntariamente a conjuntura do país, optando por um alinhamento com Washington e apoiando-se em elementos oriundos de forças estranhas, incluindo confessados nazis, como os membros do Batalhão de Azov” e que “houve, ao longo dos últimos oito anos, provocações e agressões a cidadãos considerados pró-russos, sem qualquer reação do Governo central”.

Dias antes, a 15 de fevereiro, o vice-presidente do Chega escrevia, também no Facebook: “Mas alguma vez vai haver uma guerra? Estes comentadeiros metem dó pela ignorância!” Noutra publicação, esta ainda disponível e pública, Tânger Corrêa desafiava os seus seguidores a “pensar um pouco”: “Lembram-se da crise dos mísseis de Cuba? Da guerra nos Balcãs? Da independência do Kosovo ?’ Que tal ir à net e dar uma vista de olhos nos argumentários? Não sou anti nem pró ninguém! Apenas um diplomata profissional, aliás envolvido nos dois últimos casos.”

Alguns dos comentários mais polémicos do agora cabeça-de-lista às europeias foram publicados por páginas de crítica ao partido Chega, nomeadamente aqueles em que Corrêa nega a possibilidade de uma “guerra”.

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UE

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto “EUROPA”. O projeto foi cofinanciado pela União Europeia no âmbito do programa de subvenções do Parlamento Europeu no domínio da comunicação. O Parlamento Europeu não foi associado à sua preparação e não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores do programa. O Parlamento Europeu não pode, além disso, ser considerado responsável pelos prejuízos, diretos ou indiretos, que a realização do projeto possa causar.

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Avaliação do Polígrafo:

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