"O progresso lógico e a ordem natural das coisas no socialismo. O curioso é que os 'indignados' desapareceram todos. Já não há cordões humanos, petições, etc. E há com cada mistério… Este é um índice muito preciso sobre a avaliação governativa da esquerda. Os factos desmascaram a hipocrisia e a falsidade da 'geringonça'", sublinha-se na mensagem que acompanha a publicação, a qual apresenta o seguinte título: "Em quatro anos, número de pessoas em situação de sem-abrigo em Portugal aumentou 157%".

Esta alegação é verdadeira?

A do título, "em quatro anos", sim. A da mensagem sobreposta à imagem, ou meme, "nos últimos quatro anos", não.

No geral, esta publicação baseia-se num artigo de ontem do jornal "i", segundo o qual "os dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) apontam para o aumento do número de pessoas em situação sem-abrigo. Identificar as situações de risco, atuar antes de alguém ficar na rua e melhorar os mecanismo de recolocação são algumas das medidas que a OCDE aponta como cruciais".

"O número de pessoas em situação sem-abrigo em Portugal aumentou 157%, num período de quatro anos - entre 2014 e 2018, ano que registaram 3.396 pessoas sem um tecto. Os dados constam do último relatório da OCDE. A Estratégia Nacional para a Integração das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo foi criada pelo Governo português em 2009, mas muitas medidas não saíram do papel e há cada vez mais gente nas ruas", informa-se no mesmo artigo.

"O estudo 'Melhores dados e políticas para combater a falta de casa na OCDE', publicado esta terça-feira, fez uma análise à realidade das pessoas que se encontram em situação de sem-abrigo em 35 países e o cenário não é animador: 'A falta de casa aumentou em cerca de um terço dos países da OCDE nos últimos anos', lê-se no documento. A par com Portugal, a taxa de pessoas sem tecto também aumentou em países como Austrália, Chile, Inglaterra, França, Irlanda, Islândia, Letónia, Luxemburgo, Países Baixos, Nova Zelândia, Escócia, Estados Unidos e País de Gales", acrescenta-se.

De resto, "em Portugal, os números englobam as pessoas que vivem na rua e em centros de abrigo temporário - é também assim na Áustria, Chile, França, Hungria, Irlanda, Itália, Japão, Lituânia, Eslovénia, Espanha e Estados Unidos. Noutros países, como a Alemanha, Luxemburgo ou Grécia, são contabilizadas também as pessoas que estão a viver em casa de amigos, familiares, ou até hotéis - sendo sempre a falta de casa apontada como motivo. É também por isso que os números totais são muitas vezes relativos para efeitos de comparação. No entanto, olhando para a tabela do número de sem-abrigo da OCDE, o número de pessoas sem casa em Portugal representa 0,03% do total da população - ou seja, são 3.396 pessoas sem-abrigo -, segundo dados de 2018. Abaixo de Portugal só a Croácia (0,01%) e Israel (0,02%)".

O relatório em causa da OCDE pode ser consultado aqui e os números indicados na publicação sob análise estão corretos.

Não obstante, o problema é a mensagem difundida no meme que aponta para os "últimos quatro anos" e atribui toda a responsabilidade ao anterior Governo do PS (com apoio parlamentar do BE, PCP e PEV) que exerceu funções entre novembro de 2015 e outubro de 2019.

O facto é que o aumento de 157% do número de pessoas sem-abrigo em Portugal verificou-se num período de quatro anos, entre 2014 e 2018 (ou seja, abrangendo dois anos do Governo de coligação PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho), e não "nos últimos quatro anos". Optamos por isso pela classificação de "Impreciso".

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Misto: as alegações do conteúdo são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou incompleta.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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