"Ninguém quer falar no elefante na sala?", questiona-se numa publicação no Facebook, datada de 15 de maio de 2021.

No post é apresentado um gráfico com o título: "Mortes reportadas do Sistema de Notificação de Reações Adversas às Vacinas (VAERS)". Segundo os dados apresentados, entre 1990 e 2020, o número de mortes reportadas terá variado pouco, entre uma e duas centenas. No entanto, até 1 de maio de 2021 este número terá disparado para 3.409 mortes.

O número de notificações apresentado no gráfico é verdadeiro e, tendo passado mais de um mês, já aumentou significativamente. No entanto, estes dados não provam que as mais de 3.000 mortes notificadas nos EUA têm algum tipo de relação com a toma da vacina contra a Covid-19, tal como já foi verificado pela agência de notícias Reuters e por várias  plataformas de fact-checking norte-americanas, como a FactCheck.org.

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A página do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) indica que este sistema de notificações tem várias limitações e funciona como um sistema de alerta precoce.

"Uma vez que o VAERS permite que qualquer pessoa reporte qualquer efeito secundário das vacinas, ele inclui relatórios que podem ou não estar relacionados com as vacinas. O VAERS não foi criado para identificar uma relação de causa-efeito. Os relatórios do VAERS não podem ser usados de forma isolada para determinar se uma vacina causou ou contribuiu para um efeito secundário ou doença. Alguns relatórios podem conter informação incompleta, imprecisa, coincidente ou impossível de verificar", lê-se no site do CDC.

Por fim, é deixado o aviso: "A maioria dos relatórios enviados são voluntários, o que significa que estão podem ser enviesados. Os dados dos relatórios do VAERS devem ser sempre interpretados de acordo com estas limitações".

Ou seja, as notificações contabilizadas no gráfico da publicação dizem respeito ao momento anterior à investigação, análise de registos médicos e da recolha de informação por parte do CDC e da VAERS. Não é possível concluir através destes dados que as situações reportadas (que podem ser reais ou não) foram causadas, ou não, pela toma da vacina contra a Covid-19 ou qualquer outra.

Tal como explicou o site norte-americano de verificação de factos Politifact, "a VAERS é terreno fértil para a desinformação relacionada com vacinas que é amplamente partilhada nas redes sociais e por todo o lado. Apesar de avisar os utilizadores que os relatórios não devem ser interpretados isoladamente, muitos fazem-no na mesma, citando estas estatísticas governamentais para justificar conclusões amplas sobre o que consideram ser os perigos das vacinas".

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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Falso
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