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Novos documentos indicam Oprah Winfrey como “cliente” de Jeffrey Epstein?

Internacional
O que está em causa?
A divulgação de novos documentos, este mês, relacionados com o caso que levou à condenação do norte-americano Jeffrey Epstein tem motivado a difusão de inúmeros conteúdos de desinformação. Nas redes sociais, argumenta-se que, segundo a informação recentemente revelada, a apresentadora Oprah Winfrey é listada como “cliente” do magnata. Confirma-se?

Uma publicação que soma já centenas de reações e comentários na rede social Facebook apresenta uma captura de ecrã de um portal de notícias dedicado ao universo das celebridades, entre outros temas, onde se alega que “Oprah Winfrey é citada como cliente de Jeffrey Epstein”.

Em causa está uma narrativa que pretende associar a apresentadora ao esquema criminoso conduzido pelo bilionário norte-americano, que foi encontrado morto numa prisão norte-americana, em 2019, onde era mantido devido às acusações de abuso sexual e tráfico de menores que pendiam sobre ele.

Oprah

Mas será mesmo caso para dizer que, na sequência da nova documentação divulgada em janeiro deste ano, Oprah Winfrey é apontada como “cliente” de Jeffrey Epstein?

Em causa estão documentos relacionados com uma ação judicial movida, em 2015, por uma das vítimas do magnata, Virginia Giuffre, contra Ghislaine Maxwell, considerada culpada pelo papel de facilitadora dos crimes do empresário e que se encontra, portanto, a cumprir pena de prisão.

Na documentação, é apresentado o nome de todos aqueles que foram mencionados em ficheiros relacionados com o processo  – num total de mais de 150 pessoas –, sendo que parte deles não são, em momento algum, considerados culpados ou suspeitos de práticas ilícitas. Entre eles, funcionários que trabalhavam nas propriedades do empresário, eventuais testemunhas ou até mesmo vítimas.

É precisamente esse o caso de Oprah Winfrey, que nunca é apontada, na documentação divulgada até ao momento, como “cliente” de Jeffrey Eppstein. Na verdade, como identificado primeiramente pela agência Reuters, o seu nome é referido apenas cinco vezes.

Duas destas situações relacionam-se com capturas de ecrã de dois artigos, na comunicação social, que foram utilizados como prova no decorrer deste processo, sobre histórias não relacionadas com o caso. As outras três surgem num contexto de um e-mail enviado pela jornalista Sharon Churcher a um agente literário, relacionado com um livro que Virginia Giuffre pretendia lançar e que, na perspetiva desta profissional, poderia ser do interesse do público da apresentadora.

Perante estes dados, é falso que Oprah Winfrey seja citada como uma das “clientes” do esquema de abuso sexual e tráfico de menores encabeçado pelo magnata.

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Avaliação do Polígrafo:

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