A informação tem sido partilhada vezes sem conta: a Covid-19 transmite-se através das gotículas que são expelidas pelo nariz ou pela boca, sendo essa a principal forma de disseminação. O uso de máscaras, a higiene respiratória e a lavagem das mãos têm como objetivo reduzir a propagação das gotículas possivelmente contaminadas e conter o vírus. Mas agora investigações que têm vindo a ser feitas sobre o tema apresentam novas hipóteses.

No início de maio, foi publicado um artigo  no The Journal of the American Medical Association (JAMA) que deixou no ar a dúvida sobre se o novo coronavírus pode ou não ser transmitido pelo ato sexual. O estudo, desenvolvido na China, procurou a presença de SARS-CoV-2 no sémen de 38 pacientes que tinham testado positivo ao vírus e descobriu que seis deles – incluindo dois que já estavam recuperados – continham coronavírus no sémen.

Este fenómeno já tinha sido identificado noutros vírus, como os do Ébola e do Zika, que podem permanecer durante meses ou anos no sémen, mesmo depois de o paciente estar curado, segundo a Agência Lupa, que também verificou esta informação. Porém, a razão pela qual o sistema imunológico não elimina os vírus nessa zona do corpo é ainda desconhecida.

Apesar de identificar a presença do vírus no sistema reprodutor masculino, o artigo não conclui que este é transmitido através dos fluídos sexuais - apenas identifica o vírus; não analisa a sua transmissão ou o tempo que ele permanece ativo no sémen.

O acompanhamento dos homens testados com a finalidade de descobrir quanto tempo o vírus permanece no sémen foi, a par da reduzida amostra utilizada, uma das limitações deste estudo, identificadas pelos investigadores. Ficou a sugestão para que se realizassem mais investigações sobre o tema, principalmente para descobrir se há ou não transmissão por esta via.

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“Se conseguirem provar que o SARS-CoV-2 pode ser transmitido sexualmente em estudos futuros, a transmissão sexual poderá ser uma parte crítica na prevenção da transmissão, especialmente considerando o facto de o SARS-CoV-2 ter sido detetado em sémen de pacientes recuperados”, sugerem os investigadores.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) avança que, à luz da ciência, “não existe evidência de que a Covid-19 seja transmitida através do sémen ou dos fluídos vaginais”. No entanto, a OMS identifica o ato sexual como uma possível forma de contágio, uma vez que implica uma proximidade acrescida do parceiro.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) avança que, à luz da ciência, “não existe evidência de que a Covid-19 seja transmitida através do sémen ou dos fluídos vaginais”. No entanto, a OMS identifica o ato sexual como uma possível forma de contágio, uma vez que implica uma proximidade acrescida do parceiro.

A sexualidade não se limita à penetração - inclui um conjunto de práticas que podem aumentar o risco de transmissão do novo coronavírus. Uma vez que o vírus se transmite através das gotículas libertadas pela respiração ou pela saliva, os beijos e a proximidade constituem fatores de risco durante o ato sexual.

O estudo publicado no JAMA identificou a presença de SARS-CoV-2 no sémen, mas não fez qualquer análise à possibilidade de transmissão do vírus através do contacto sexual. Até ao momento, não existem evidências de que a Covid-19 seja transmitida através do sexo.

Várias organizações mundiais emitiram recomendações para uma prática sexual segura durante a pandemia. O Departamento de Saúde de Nova Iorque publicou um documento com diretrizes e conselhos para evitar a propagação de Covid-19 durante o ato sexual. A masturbação é recomendada como a mais segura das práticas – desde que se “lavem as mãos e os brinquedos sexuais com sabão e água durante pelo menos 20 segundos antes e depois do sexo” –, assim como restringir a prática sexual a pessoas com quem partilha a mesma casa. Também as orgias e os encontros sexuais organizados online são desaconselhados, sendo sugerida a prática de sexo virtual.

Em Portugal, a Associação para o Planeamento da Família disponibilizou um conjunto de conselhos – baseado nas recomendações da Federação Internacional de Planeamento Familiar – que seguem a mesma linha.

Concluindo: o estudo publicado no JAMA identificou a presença de SARS-CoV-2 no sémen, mas não fez qualquer análise à possibilidade de transmissão do vírus através do contacto sexual. Até ao momento, não existem evidências de que a Covid-19 seja transmitida através do sexo. Porém, a proximidade que o ato sexual implica e a troca de saliva através dos beijos poderá resultar na contaminação do parceiro, caso um dos elementos tenha a doença.

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