O fenómeno disseminou-se de tal forma (e escala) nas redes sociais, e demais páginas online, que já tem direito a registo na Liga Anti-Difamação. É uma teoria da conspiração denominada como "Great Reset" ("Grande Apagão", em tradução livre) e que apresenta diversas ramificações.

Desde logo em torno da pandemia de Covid-19 que supostamente é utilizada pelas "elites globais" como "um instrumento para reorganizar as sociedades e economias globais em seu benefício e à custa das pessoas comuns, com o objetivo final de estabelecer um regime totalitário global", segundo a caracterização da Liga Anti-Difamação.

A mais recente variante desta teoria da conspiração mistura a epidemia da varíola-dos-macacos com a pandemia de Covid-19 e as vacinas de tecnologia mRNA da Pfizer, resultando no seguinte título de artigo (publicado na página "The Exposé", com origem no Reino Unido e fonte recorrente de fake news e desinformação sobre a pandemia de Covid-19, as vacinas e outras matérias) que tem sido partilhado nas redes sociais desde há uma semana:

"A monkeypox só está a circular em países onde foi distribuída a vacina da Pfizer e está a ser utilizada para avançar com um 'Grande Apagão Tecnocrático'".

No entanto, além de não encontrarmos qualquer fundamento científico para a suposta relação entre as referidas epidemia, pandemia e vacinas, também não é verdade que só tenham sido identificados casos de infeção de varíola-dos-macacos em países onde foi distribuída a vacina contra a Covid-19 da Pfizer.

Ora, cruzando os dados de países que receberam vacinas Pfizer-BioNTech contra a Covid-19 (mapa interativo disponível na página da Pfizer) com os dados de países que reportaram casos de varíola-dos-macacos (mapa interativo disponível na página do CDC - Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA) detetamos vários exemplos de não correspondência entre as duas variáveis.

Ao que acresce a não comprovada relação de causa-efeito entre as mesmas.

A Venezuela, por exemplo, onde só foram aprovadas as vacinas cubanas, russas e chinesas contra a Covid-19, não deixa de ser um dos países que registou casos de monkeypox ou varíola-dos-macacos.

O mesmo se aplica à Índia, tão só o segundo país mais populoso do mundo, onde não há vacinas da Pfizer mas foram identificados casos de varíola-dos-macacos.

Por outro lado, também há exemplos de países que administraram vacinas da Pfizer contra a Covid-19 mas até ao momento não detetaram casos de infeção por varíola-dos-macacos, nomeadamente a Indonésia.

Resta assim classificar a alegação do artigo como falsa.

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