“Apenas uma observação desinteressada: não é o aquecimento global, é o ‘esquecimento total'”, ironiza post de 13 de agosto, que partilha notícia de uma terça-feira, 2 de setembro de 1930, sobre o “calor em Portugal”, que “tem sido verdadeiramente excessivo”.
Já lá vai quase um século, mas os utilizadores das redes sociais parecem não esquecer que as atuais “ondas de calor” tiveram vários precedentes e que não devem ser levadas demasiado a sério. Afinal, a 17 de agosto de 1930, Lisboa via a temperatura subir até aos 68º ao Sol: “Tardou, mas chegou, o abafadiço calor do verão lisboeta, que transforma a cidade durante o dia numa espécie de fornalha, torna sedentas todas as gargantas e faz a alegria dos cervejeiros.”
“Os termómetros do Observatório Central Metereológico marcaram 37,8º à sombra e 68,2º ao sol. O asfalto das poucas ruas que o têm chegou a derreter e, pela tarde, os cafés encheram-se a transbordar e as principais artérias da cidades despejaram-se de transeuntes. O contraste entre a frescura constante dos últimos dias e a atmosfera abrasada de ontem foi súbito e violento”, escrevia “O Jornal”.
Esta não é a primeira vez em que recortes deste tipo são utilizados para negar as alterações climáticas: há cerca de um ano, um recorte de um artigo publicado no “Diário de Notícias” em 1944 corria redes sociais para alegar que, no dia 31 de julho desse ano, Portugal sofreu uma “onda de calor“. Como agora, houve quem aproveitasse esta notícia publicada há 78 anos para sustentar que “não há nenhum aquecimento global” e que estes fenómenos extremos mostram apenas “a natureza a ser como sempre foi“. Mas será que, nos dois casos, a conclusão pode mesmo ser essa?
Não. Agora como antes, é incontornável que o planeta está a sofrer com o aquecimento global. Tal como o tempo frio em determinadas zonas do mundo não prova um arrefecimento global, também os dias de maior calor de há 100 anos não desmentem o aquecimento do globo.
Tal como o Polígrafo já escreveu, um relatório do Painel Internacional da ONU para as Alterações Climáticas (IPCC) prevê que “as alterações climáticas e eventos extremos relacionados aumentarão significativamente os problemas de saúde e as mortes prematuras de curto a longo prazo” e que, “globalmente, a exposição da população às ondas de calor continuará a aumentar com o aquecimento adicional”.
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Avaliação do Polígrafo:

