O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, ameaçou hoje avançar com uma greve às avaliações a partir de 6 de junho, se o Parlamento não corrigir o diploma do Governo - ou "decreto de roubo", nas suas palavras - que prevê a recuperação de apenas dois anos, nove meses e 18 dias do tempo de serviço congelado (um total de nove anos, quatro meses e dois dias, tal como os professores reivindicam).

Este sábado foi marcado por uma manifestação em Lisboa que partiu do Marquês de Pombal, rumando à Avenida da Liberdade, num percurso que passou de seguida pelos Restauradores e pelo Rossio e terminou no Terreiro do Paço.

Durante a manifestação, em declarações aos jornalistas, Nogueira afirmou que "hoje há menos 50 mil professores" do que em 2008, quando se realizou a última grande manifestação nacional que levou professores ao Terre  iro do Paço em protesto. Ao invocar esse número, o líder da Fenprof procurava baixar as expectativas quando à adesão de professores na manifestação de hoje. Mas trata-se de uma estatística verdadeira? "Hoje há menos 50 mil professores"?

De acordo com os dados mais recentes compilados na Pordata, em 2017 registava-se um total de 145.549 docentes em exercício nos ensinos pré-escolar, básico e secundário. Em 2008 havia um total de 175.919 docentes em exercício. Ou seja, entre 2008 e 2017 verificou-se uma diminuição de 30.370 professores em atividade.

Nogueira referiu-se à atualidade, ou seja, o presente ano de 2019, mas os dados oficiais mais recentes e disponíveis são referentes a 2017. No que respeita a 2017, a diminuição do número de professores em comparação com 2008 não é tão acentuada como Nogueira invocou. Há uma discrepância considerável de cerca de 20 mil professores entre os dados oficiais e a afirmação do sindicalista que classificamos assim como imprecisa.

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