É apenas uma mensagem de texto sobre um fundo colorido, sem qualquer indicação quanto às respetivas fontes de informação, mas ainda assim já foi partilhada por dezenas de pessoas na rede social Facebook.

Estes dados estatísticos estão corretos? E, como tal, confirma-se que em 2018 emigraram mais jovens de Portugal do que "no tempo da troika"?

De acordo com os dados mais recentes, compilados na Pordata, em 2018 registou-se um total de 81.754 emigrantes, dos quais 31.600 permanentes e 50.154 temporários.

Ora, durante o período de assistência financeira da troika (2011-2014), o nível de emigração foi sempre mais elevado, variando entre um mínimo de 100.978 indivíduos em 2011 e um máximo de 134.624 indivíduos em 2014.

No âmbito dos subgrupos de emigrantes permanentes e temporários, os números referentes ao período da troika também foram sempre mais elevados do que em 2018.

Mas a publicação em análise refere-se aos "jovens", não indicando a correspondente faixa etária. Se aplicarmos ao conceito de "jovens" a faixa etária até aos 29 anos de idade, em 2018 registou-se um total de 35.082 emigrantes, dos quais 14.991 permanentes e 20.091 temporários.

Ou seja, quase o triplo relativamente aos 12.640 evocados na mensagem da publicação. Mas a principal fonte de desinformação dessa publicação é mesmo a comparação que traça com o período da troika: o nível de emigração durante esse período, também no que respeita aos jovens, foi sempre mais elevado do que em 2018.

Mesmo variando a faixa etária (até aos 24, aos 29 ou aos 34 anos de idade), ou limitando a análise aos emigrantes permanentes ou aos temporários, a conclusão é sempre a mesma: os números relativos ao período da troika são sempre superiores, pelo que a publicação em causa está a transmitir uma evidente falsidade.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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