"Conheça de onde vem o gás e o petróleo que Portugal importa. Quem diria, é a Nigéria o nosso maior fornecedor", lê-se em publicação de 6 de setembro no Facebook, onde é partilhada uma infografia da base de dados Pordata, relativa às importações portuguesas de petróleo e gás natural.

Em Portugal, a taxa de dependência de petróleo bruto, gás natural e combustíveis sólidos rondou, em 2020, os 65%, sendo que no ano de 2000 era superior a 85%. Tal como o Polígrafo já verificou, a União Europeia depende principalmente da Rússia para as importações dos três tipos de energia, sendo a Noruega o segundo principal fornecedor de petróleo bruto e gás natural. Ainda assim, a situação em Portugal não é tão grave como nos restantes estados membros.

Para os portugueses, o gás proveniente da Rússia representava, em 2020, apenas cerca de 9,7% de todas as importações. Na verdade, quase 54% do gás natural importado por Portugal vem mesmo da Nigéria, como nota a publicação em análise. Com apenas 19% do peso das importações portuguesas estão os EUA que são, como já referimos, seguidos pela Rússia, lado a lado com a Argélia.

De acordo com os dados estatísticos do Eurostat, em países como a França (17%), Países Baixos (26%), Turquia (34%), Grécia (38%), Lituânia (42%), Itália (43%), Roménia (45%), Estónia (46%), Liechtenstein (47%), Polónia (55%), Alemanha (66%), Finlândia (67%), Sérvia (69%), Bulgária (75%), Eslováquia (85%), Hungria (95%), República Checa (100%), Letónia (100%), Macedónia do Norte (100%) e Moldávia (100%) esta percentagem é bastante mais elevada, deixando Portugal entre os países que menos importam gás natural da Rússia.

O Polígrafo consultou os dados oficiais mais recentes, disponíveis no portal da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), onde se verifica que, no que respeita às importações de gás natural para 2022, foi efetivamente da Nigéria que mais chegou gás natural liquefeito (GNL) a Portugal. O transporte foi efetuado através de barcos, que chegaram também dos Estados Unidos, da Rússia (apenas em alguns meses) e de Trinidade e Tobago. Espanha é igualmente uma fornecedora importante de gás natural com destino a Portugal, com transporte efetuado via gasoduto e camião. Quanto ao petróleo e derivados, dados para 2020 (ano mais recente) mostram que é sobretudo do Brasil e de Espanha que chega o montante mais significativo, tal como se destaca no infográfico do Pordata.

Em suma, para o ano de 2020 (e consecutivos), o gás natural importado por Portugal tinha origem maioritária na Nigéria. Porém, este país não foi o principal fornecedor de petróleo e derivados importados por Portugal. À frente dos nigerianos, em 2020, ficaram o Brasil e a Espanha. Angola e Arábia Saudita têm também um peso significativo nas importações de petróleo.

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Nota editorial: Na sequência da publicação deste artigo o Polígrafo foi contactado pela Pordata, alegando que a peça dava a entender que o erro estava presente na infografia produzida pela base de dados. Posto isso, esclarecemos que tal não está em causa: é a análise ao estudo, feita por um utilizador das redes sociais, que induz em erro (levando a crer que a Nigéria é, efetivamente, o maior fornecedor de gás e petróleo para Portugal).

Ora, quer na infografia da Pordata quer no site da DGEG (consultados pelo Polígrafo) esses dados surgem de forma clara: não é a Nigéria mas sim o Brasil o principal fornecedor de petróleo para Portugal. O coautor do estudo da Pordata nota ainda que o autor estaria correto se quisesse dizer que a Nigéria é o maior exportador de gás e de petróleo somados: "Para se chegar a esta conclusão, porém, é preciso fazer contas um pouco mais complexas, convertendo a importação de cada produto (gás natural, petróleo bruto, gasóleo, gasolina, fuelóleo, jet fuel, etc.) a uma unidade comum (toneladas equivalentes de petróleo)."

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Avaliação do Polígrafo:

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