Depois da alegação inicial, a autora da publicação cita aquela que será uma afirmação da atriz, no sentido de justificar a recusa do prémio: "'Eu não frequento o prémio Génesis porque eu não quero aparecer ao lado de Benjamin Netanyahu. Israel foi criado há 70 anos como um refúgio para as vítimas do Holocausto, mas o maltrato para aqueles que sofrem as atrocidades de hoje não casa com os meus valores judeus...'".

Logo a seguir, congratula-se o ato: "Aplausos".

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Mas será mesmo verdade que Natalie Portman recusou o prémio, atribuído a judeus e no valor de um milhão de dólares (cerca de 820 mil euros)?

Sim. Mas o caso remonta a 2018 e não a 2021, como faz crer a publicação em causa. Ora, este desfasamento nas datas - sendo que o post foi recuperado num momento em o conflito entre Israel e a Palestina se agravou - poderia alterar por completo o enquadramento da decisão de Natalie Portman. Ainda assim, os motivos mencionados pela atriz não se distanciaram daqueles que levam várias figuras públicas a recusar visitas a Israel.

Em causa estava um prémio de um milhão de dólares, atribuído na sequência de uma associação entre a Fundação do Prémio Génesis (GPF, na sigla em inglês), o gabinete do primeiro-ministro israelita e a Agência Judaica para Israel. A 19 de abril de 2018, a GPF publicava uma declaração onde confirmava a ausência de Natalie Portman na cerimónia de atribuição do prémio.

Os representantes da atriz, citados pelo jornal britânico "The Guardian", justificaram a decisão com base em "acontecimentos recentes em Israel" que estariam a ser "extremamente angustiantes" para Portman, que não se sentiu "confortável em participar de quaisquer eventos públicos em Israel".

Um dia depois, a 20 de abril, a atriz com dupla nacionalidade - israelita e norte-americana - divulgou na conta de Instagram um comunicado que dizia o seguinte:

"A minha decisão de não comparecer à cerimónia do Prémio Génesis foi desvirtuada por outros", escreveu Portman. "Deixem-me falar por mim mesma. Decidi não comparecer porque não queria aparecer como se estivesse a apoiar Benjamin Netanyahu, que faria um discurso na cerimónia. Da mesma forma, não faço parte do movimento BDS [que promove o boicote de Israel enquanto Estado] e não o apoio. Como muitos israelitas e judeus de todo o mundo, posso ser crítica da liderança em Israel sem querer, por isso, boicotar a nação inteira", acrescentou.

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"Eu valorizo os ​​meus amigos e família israelita, comida israelita, livros, arte, cinema e dança. Israel foi criado há exatamente 70 anos como um abrigo para refugiados do Holocausto. Mas os maus tratos aos que sofrem com as atrocidades de hoje simplesmente não vão em linha com os meus valores judaicos. Porque me preocupo com Israel, devo levantar-me contra a violência, a corrupção, a desigualdade e o abuso de poder", concluiu a atriz.

Na altura, Natalie Portman não ficou sem resposta. O governo israelita, sob a figura de Gilad Erdan, ministro da Segurança Pública e dos Assuntos Estratégicos de Israel, endereçou uma carta à atriz convidando-a a visitar a área fronteiriça de Gaza, sugerindo que Portman tivesse sido influenciada "pela campanha de desinformação dos media sobre Gaza".

Em suma, é verdade que Natalie Portman recusou receber o prémio atribuído por Israel, no valor de um milhão de dólares. Devem ser, no entanto, apontadas algumas falhas na tradução do post original, bem como o intervalo de três anos que separa a decisão de Portman e a publicação em causa.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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