A publicação em causa apresenta um gráfico com a evolução do "saldo natural mensal (valores acumulados)" entre 2019 e 2022, claramente em sentido decrescente. Mas no respetivo texto aponta-se noutro sentido:

"Mais de um em cada 10 bebés nascidos em Portugal são filhos de mães estrangeiras, um em cada quatro no Algarve, um em cada cinco em Aveiro. Em 23 anos, o número de nascimentos de filhos de mães estrangeiras residentes em Portugal aumentou quase 300%."

Estas alegações têm fundamento?

De acordo com os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), compilados na Pordata, em 1999 (há 23 anos, como se refere na publicação sob análise) registaram-se 5.096 nados-vivos de mãe estrangeira residente em Portugal (e 110.894 de mãe portuguesa).

Ora, em 2021 registaram-se 10.808 nados-vivos de mãe estrangeira (e 68.772 de mãe portuguesa). Ou seja, desde 1999, o número de nascimentos de filhos de mães estrangeiras residentes em Portugal aumentou cerca de 212,1% e não "quase 300%".

É uma imprecisão significativa que não podemos deixar de assinalar.

De resto, num total de 79.582 nascimentos em 2021, os nados-vivos de mães estrangeiras (10.808) representa cerca de 13,6%, confirmando assim a segunda alegação: "Mais de um em cada 10 bebés nascidos em Portugal são filhos de mães estrangeiras."

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