A realização de um jogo em que se defrontam o campeão nacional e o vencedor da Taça de Portugal da época anterior (ou o finalista vencido, caso tenha existido uma “dobradinha”) existe desde 1979 (com referência a 1978/79). Em 1981 (com referência à temporada 1980/81) a Federação Portuguesa de Futebol institucionalizou a prova no seu calendário futebolístico, com a designação Supertaça Cândido de Oliveira, homenageando o capitão da seleção, depois selecionador nacional e jornalista (1896-1958).
Nas 46 edições disputadas até 2025, todas tiveram, pelo menos, a presença de Benfica, FC Porto ou Sporting e 22 foram protagonizadas em jogos entre os chamados “três grandes”.
Quem prevaleceu nessas 22 finais, o campeão nacional ou o vencedor da Taça de Portugal/finalista vencido?
Logo na 1.ª edição (ainda informal) deste tipo de jogos, entre Sporting (campeão nacional) e Benfica (vencedor da Taça de Portugal), a vitória sorriu àquele que não era campeão nacional. As águias, treinadas pelo húngaro Lajos Baróti, empataram na 1.ª mão em Alvalade (2-2, depois de irem para o intervalo a ganhar por 2-0) e sentenciaram a competição na Luz, vencendo por 2-1 (depois do Sporting inaugurar o marcador aos 22 minutos). Apesar de, curiosamente, ter sido a única Supertaça que o Benfica ganhou ao Sporting com os leões na condição de campeão nacional, esta partida daria o mote para uma tendência nas finais de supertaças entre clubes grandes: por larga maioria, vence o clube que não foi o vencedor do campeonato na temporada anterior. São 14 vitórias para o finalista que chega por via da Taça de Portugal (63,6%) contra 8 do que garante a presença via campeonato (36,4).
Aliás, foi preciso esperar por 1986 para que, numa final entre “grandes”, vencesse o campeão nacional, então o FC Porto orientado por Artur Jorge (frente ao Benfica).
O Benfica é o clube que mais supertaças perdeu (oito) para os rivais: seis contra o FC Porto e duas com o Sporting. Os dragões já perderam quatro supertaças nessa condição (a já referida contra o Benfica e três para o Sporting) e os leões duas (a primeira e a última entre “grandes” até 2025, contra Benfica e FC Porto, respetivamente).
Benfica e Sporting apenas se defrontaram em quatro ocasiões para esta prova, com um jejum de 27 anos (de 1988 a 2015). Nestas, por três vezes ganhou quem não era campeão nacional (Benfica 1980; Sporting 1987 e Sporting 2015). Apenas em 2019, no desfecho mais desnivelado de sempre (5-0, para o Benfica de Bruno Lage), prevaleceu o vencedor do campeonato.
Supertaças disputadas entre os “três grandes”
| Ano | Jogo* | Vencedor | Balanço:
Campeão vs. Taça de Portugal |
| 1980 | SCP-SLB | SLB | 0/1 |
| 1981 | SLB-FCP | FCP | 0/2 |
| 1983 | SLB-FCP | FCP | 0/3 |
| 1984 | SLB-FCP | FCP | 0/4 |
| 1985 | FCP-SLB | SLB | 0/5 |
| 1986 | FCP-SLB | FCP | 1/5 |
| 1987 | SLB-SCP | SCP | 1/6 |
| 1991 | SLB-FCP | FCP | 1/7 |
| 1993 | FCP-SLB | FCP | 2/7 |
| 1994 | SLB-FCP | FCP | 2/8 |
| 1995 | FCP-SCP | SCP | 2/9 |
| 1996 | FCP-SLB | FCP | 3/9 |
| 2000 | SCP-FCP | SCP | 4/9 |
| 2004 | FCP-SLB | FCP | 5/9 |
| 2007 | FCP-SCP | SCP | 5/10 |
| 2008 | FCP-SCP | SCP | 5/11 |
| 2010 | SLB-FCP | FCP | 5/12 |
| 2015 | SLB-SCP | SCP | 5/13 |
| 2019 | SLB-SCP | SLB | 6/13 |
| 2020 | FCP-SLB | FCP | 7/13 |
| 2023 | SLB-FCP | SLB | 8/13 |
| 2024 | SCP-FCP | FCP | 8/14 |
*Equipas dispostas por esta ordem: Campeão nacional – Taça de Portugal
É, pois, falso que seja o campeão nacional a vencer mais vezes as supertaças disputadas entre os “três grandes”. A estatística mostra precisamente o contrário: 14 derrotas e apenas 8 vitórias.
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Avaliação do Polígrafo: