Desde o início da invasão russa da Ucrânia, a 24 de fevereiro, que o conteúdo desinformativo sobre este conflito é uma constante nas redes sociais. Apesar de os protagonistas destas publicações serem quase sempre Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky, outras figuras políticas mundiais têm sido envolvidas na partilha de informação falsa.

Desde o início de junho que uma alegada citação de Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, está a ser partilhada em diversas línguas, incluindo russo, inglês e português. "Orbán responde a Zelensky: 'Eu não me importo com os Estados Unidos e a Ucrânia. Sou húngaro por nacionalidade, e não quero perder o meu país por causa de um idiota que provocou um massacre no centro da Europa, e logo com quem? Com a Rússia!'", destaca-se num post de 8 de junho no Facebook.

O Polígrafo não encontrou qualquer registo de que Viktor Orbán tenha proferido a afirmação que lhe está a ser atribuída nas redes sociais. A plataforma de verificação de factos da Reuters contactou o gabinete do primeiro-ministro húngaro que garante que estas declarações são apócrifas.

"A citação atribuída ao primeiro-ministro Viktor Orbán não lhe pertence. As publicações a que se referem são notícias falsas", garantiu um porta-voz do Governo húngaro à agência de notícias europeia.

A Reuters conseguiu localizar a origem provável desta informação falsa. Um tweet, de 27 de março, publicado numa conta russa, partilha a citação falsa com a seguinte descrição: "O primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán respondeu às alegações do Sr. Zelensky sobre apoio militar."

Ora, no dia anterior, o primeiro-ministro húngaro deu uma entrevista ao canal de televisão "M1" em que reage à intervenção do presidente ucraniano numa reunião do Conselho Europeu, no dia 25 de março. Um mês depois do início da invasão da Rússia à Ucrânia, Zelensky participou por videochamada na reunião e pediu aos países europeus assistência militar e sanções ao Kremlin.

Dirigindo-se de forma personalizada aos vários Estados-membros, o presidente ucraniano disse: "Hungria... quero parar por aqui e ser honesto. De uma vez por todas. Tem que decidir por si mesmo com quem está. É um estado soberano", afirmou. E acrescentou, em referência ao memorial às vítimas mortas a tiro para o Danúbio: "Viktor, você sabe o que está a acontecer em Mariupol? Por favor, se puder, vá para a sua margem. Olhe para esses sapatos. E vai ver como os assassinatos em massa podem acontecer novamente no mundo de hoje. E é isso que a Rússia está a fazer hoje. Os mesmos sapatos. Em Mariupol, há as mesmas pessoas. adultos e crianças. avós."

Em resposta às declarações de Zelensky, Orbán disse na entrevista mencionada: "Em primeiro lugar, devemos entender o presidente da Ucrânia, ele quer que o mundo inteiro não apenas compartilhe a sua dor e ajude os refugiados, mas também tome a posição da Ucrânia e se envolva. E ele pede que a NATO interfira, que se comprometa com o combate aéreo, envie armas e eu entendo isso porque para os ucranianos esse é um ponto de vista compreensível. Mas não somos ucranianos, não somos russos, somos húngaros."

"Quanto à questão é onde a Hungria está - está ao lado da Hungria", assegurou ainda o presidente. Ou seja, as declarações de Orbán são claras em relação à neutralidade que pretende manter em relação ao conflito, mas nunca afirmou que não quer perder o seu país "por causa de um idiota que provocou um massacre no centro da Europa".

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