Não houve um único indicador económico que, nestes três anos, não tenha melhorado”, destacou Jorge Coelho, gestor de empresas e antigo governante e dirigente do PS, no programa televisivo “Quadratura do Círculo”, emitido na noite de 7 de dezembro na SIC Notícias. Ora, não sendo possível verificar exaustivamente todos os indicadores económicos, cingimo-nos aos mais importantes, de forma a conferir se a declaração de Coelho é verdadeira, imprecisa ou falsa.

O Produto Interno Bruto (PIB) aumentou de 179 mil milhões de euros em 2015 para 194 mil milhões de euros em 2017, mantendo a trajetória de crescimento ao longo de 2018. A taxa de desemprego baixou de 12,4% em 2015 para 8,9% em 2017, tendo continuado a diminuir ao longo de 2018, até aos 6,7% em outubro.

A balança comercial mantém saldos positivos desde 2012 (nesse ano registou-se um saldo positivo pela primeira vez desde 1943), tendo passado de 2.990 milhões de euros em 2015 para 3.511 milhões de euros em 2017. O volume total das exportações também aumentou, de 74 mil milhões de euros em 2015 para 84 mil milhões de euros em 2017.

Quanto ao défice público, passou de -4,4% do PIB em 2015 para -2,0% em 2016 e -3% em 2017. No entanto, o Governo considera que o défice do ano passado foi de -0,9% do PIB, não contabilizando a injeção de cerca de 4 mil milhões de euros pelo Estado português no capital da Caixa Geral de Depósitos (CGD). O Instituto Nacional de Estatística seguiu uma recomendação do Eurostat e incluiu o efeito da CGD no cálculo do défice público em 2017. De qualquer modo, tendo sido de -0,9% ou -3%, acaba sempre por ser inferior ao de 2015. E tudo aponta que deverá voltar a diminuir nas contas finais de 2018.

O único indicador que não melhorou foi a dívida pública em valor bruto, a qual aumentou de 231,3 mil milhões de euros em novembro de 2015 para 251,1 mil milhões de euros em outubro de 2018, o valor mais elevado de sempre. No total, aumentou em cerca de 20 mil milhões de euros desde a tomada de posse do atual Governo. Mas diminuiu em percentagem do PIB, de 128,8% em 2015 para 124,8% em 2017 (número ainda provisório), com um pique de 129,2% em 2016. Pelo que a afirmação de Coelho é verdadeira no essencial, mas tem essa ligeira imprecisão.

Verdadeiro, mas...