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“Não há comida”. Bombeiros que combateram incêndios em Odemira “passaram fome”?

Sociedade
O que está em causa?
Em publicação de 11 de agosto no Facebook denunciava-se que "não há comida para os bombeiros que combatem o fogo em Odemira" que estariam assim a "passar fome", ao contrário dos "festivaleiros" e apesar dos "milhões" gastos em "festarolas". Tem fundamento?

“Mais uma vez gastaram milhões nas festarolas e depois não há comida para os bombeiros que combatem o fogo em Odemira. Faltam centenas de refeições para amanhã [dia 12 de agosto], quarta-feira e provavelmente quinta-feira, 1.000 refeições por dia”, realça-se num post de 11 de agosto no Facebook, enviado ao Polígrafo com pedido de verificação de factos.

O autor da denúncia exibe uma imagem de caixas de refeições (sem qualquer informação sobre as mesmas) e acrescenta: “Mas estes podem passar fome, não é? Foram rápidos a alimentar os festivaleiros e os nossos bombeiros já podem passar fome, não é? Onde está o espírito cristão? Tenham vergonha na cara, mais um ano e quem nos protege passa fome. Partilhem esta vergonha.”

Com base na data da publicação, o incêndio em causa foi o que deflagrou a 5 de agosto e, durante vários dias, foi o que mais preocupação gerou no país. Quando foi dominado pela primeira vez, no dia 9 de agosto, já tinha provocado um total de 42 feridos e resultado em mais de 8.500 hectares de área ardida.

No dia 11 de agosto, o incêndio encontrava-se em fase de rescaldo e os operacionais mantinham-se no terreno devido a “alguns pontos quentes” que, segundo fonte da Proteção Civil, ainda geravam preocupação.

O Polígrafo contactou Luís Oliveira, comandante dos Bombeiros de Odemira, o qual negou que tenha faltado comida para os operacionais. “Tivemos o apoio do serviço municipal de Proteção Civil que nos deu apoio em termos logísticos, em conjunto com a população”, assegurou.

Sobre o processo que garantiu refeições para todos os bombeiros, Oliveira indicou que foi montado “um centro de apoio logístico nas instalações da Feira de São Teotónio, no Parque de São Teotónio, onde foi instalado o posto de comando”.

“O que acontecia era que toda a comida que era confecionada pelos vários restaurantes, e mesmo pela população, era direcionada pelo centro de apoio logístico e daí era distribuída pelos vários operacionais que estavam no terreno”, explicou.

“Nós em termos de alimentação contratámos os vários restaurantes do nosso concelho, principalmente os que estavam mais perto do local, que pudessem confecionar refeições. Cada um confecionava uma determinada quantidade de refeições para que, no total, fossem suficientes para serem distribuídas pelos nossos operacionais. É assim que funcionamos, quer em termos de refeições quentes, quer em termos de reforços de pequenos-almoços que são preparados de forma individual”, detalhou.

Relativamente aos custos, o comandante disse que “ao abrigo da diretiva financeira, são suportados pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) até um determinado valor“.

“Se quando contratamos os restaurantes for mais caro [do que esse valor determinado pela ANEPC], a diferença é suportada por nós“, concluiu.

O Polígrafo contactou também a Liga dos Bombeiros Portugueses que, em resposta sobre esta denúncia, garantiu que “do incêndio de Odemira não nos chegaram queixas“.

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Avaliação do Polígrafo:

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