A suposta citação de Joe Biden tem sido difundida nas redes sociais em várias línguas, do inglês ao português e castelhano, passando pelo italiano e encontramos até alguns exemplos em russo. "Cortar o gás russo vai prejudicar a Europa, mas esse é o preço que estou disposto a pagar", teria afirmado o Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), aquando da sua passagem por Bruxelas, no final de março, para participar em cimeiras da NATO, do G7 e da União Europeia.

Aliás, a citação é associada a uma imagem de Biden ao lado de Ursula von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia, numa conferência de imprensa que se realizou no dia 25 de março.

Entre as publicações que destacam a citação há algumas que partilham mesmo um clip de vídeo da conferência de imprensa (com origem numa transmissão da TRT World, estação de televisão pública da Turquia), no qual se ouve Biden dizer:

"Senhora Presidente [Ursula von der Leyen], sei que eliminar o gás russo terá um custo para a Europa, mas não é apenas o correto do ponto de vista moral, como também nos colocará numa base estratégica muito mais forte".

Ou seja, esta frase não corresponde exatamente à citação que está a ser destacada, na medida em que Biden não diz - de todo - que "esse é o preço que estou disposto a pagar".

Mais, na transcrição do discurso proferido pelo Presidente dos EUA, disponível na página da Casa Branca, também não encontramos a suposta citação. A AFP Checamos analisou o discurso (transcrição e gravação em vídeo) e chegou à mesma conclusão: a citação é falsa.

No dia 25 de março, precisamente, Biden anunciou o estabelecimento de um acordo para o fornecimento de gás natural à União Europeia pelos EUA, de forma a reduzir a dependência energética dos países europeus em relação à Rússia. O acordo prevê o fornecimento suplementar de 15 mil milhões de metros cúbicos de gás natural liquefeito até ao final de 2022.

A Rússia fornece atualmente cerca de um terço do gás natural consumido na Europa. Ressalve-se que a União Europeia ainda não decidiu se vai decretar um embargo às importações de gás natural da Rússia. No que concerne ao petróleo, a proposta de sexto pacote de sanções contra a Rússia, apresentada na semana passada pela Comissão Europeia, prevê o término do fornecimento de petróleo bruto no prazo de seis meses e de produtos refinados até ao final do ano.

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