"Acabei de fazer o percurso por São Pedro de Moel desde a Marinha Grande até à Nazaré e pude constatar que o Pinhal de Leiria, ao contrário do prometido por António Costa, continua sem pinheiros. Seis anos passaram e nada foi feito", destaca-se num tweet com milhares de visualizações na rede social X.

O autor da publicação refere-se aos dois grandes incêndios que nos dias 15 e 16 de outubro de 2017 consumiram 9.475 hectares, num total de 11.021 mil hectares, traduzindo-se em 86% da área total da maior mata pública nacional, de acordo com dados recolhidos pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

É verdade que, seis anos depois, "nada foi feito" e o Pinhal de Leiria "continua sem pinheiros"?

Segundo informa o ICNF, no âmbito "da recuperação das matas litorais atingidas pelos incêndios de 15 de outubro de 2017" foi lançado um programa que engloba várias ações e iniciativas "para assegurar a gestão sustentável" das áreas atingidas pelos fogos de 2017.

Nesse sentido, foi elaborado um documento que detalha os investimentos feitos em matas nacionais e perímetros florestais do ICNF/DCNF-Centro entre 2018 e 2022. Assim, o investimento total na Mata Nacional de Leiria nesses anos foi de 5,9 milhões de euros e abrangeu uma área de 3.877,6 hectares.

Em 12 de fevereiro de 2023, Rui Pedro Ferreira, responsável pelo departamento de gestão da floresta da direção regional do Centro do ICNF, em declarações ao jornal "Público", assegurou que cerca de 30% da área ardida do Pinhal de Leiria já se encontrava novamente arborizada. À data decorriam "trabalhos de arborização em grande escala" e o responsável garantia que "a área de arborização aumenta todos os dias".

Quanto aos restantes 63% da área ardida, os trabalhos de replantação de árvores "ou já estão em execução, ou estão já contratualizados para estarem concluídos até 2025", acrescentava Rui Pedro Ferreira.

Agora, um ano depois destas declarações, o Polígrafo contactou o ICNF, solicitando dados atuais sobre o processo de rearborização da mata nacional e questionando sobre se a ideia de que ainda não há pinheiros terá fundamento.

Em resposta, o ICNF esclareceu que "as ações com vista à recuperação da área afetada" foram iniciadas "logo de seguida" aos incêndios que devastaram "cerca de 86% da superfície da Mata Nacional de Leiria (MLN)".

Assim, à exceção de "660 hectares inseridos em área de proteção onde apenas são realizadas intervenções muito pontuais dada a sua sensibilidade", encontram-se atualmente "rearborizados (plantação e aproveitamento da regeneração natural) 4.834 hectares que representam 55% da área ardida". Ou seja, mais de metade da área total afetada pelos incêndios de 2017.

Quanto ao remanescente encontram-se "já contratualizadas ações de rearborização e aproveitamento de regeneração natural em 3.981 hectares, que representam 45% daquela área". No seu conjunto, as intervenções representam "93% da área afetada".

Posto isto, o ICNF defende que a "reflorestação da Mata Nacional de Leiria não está atrasada". Sublinha aliás que os trabalhos estão a decorrer, tendo remetido ao Polígrafo um vídeo que regista (pode ver aqui) os trabalhos de reflorestação executados no local.

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