“Nas lotas portuguesas, como a de Quarteira, o peixe tem sido vendido a 0,01€/kg. Um. Único. Cêntimo. Menos do que custa o gelo, menos do que custa a caixa, menos do que vale o suor e o risco de quem enfrenta o mar de madrugada para pôr alimento nas mesas dos outros”, denuncia-se em publicação de 9 de outubro no Facebook.
Apresenta um suposto recibo da embarcação “Ti Maria”, referente ao peixe vendido na lota de Quarteira a 26 de setembro, que comprovará a existência de cavala transacionada por esse valor. A publicação é acompanhada de críticas dirigidas à Docapesca e ao Ministério da Agricultura e do Mar.
Esta história tem fundamento?
Sim, houve registo de cavala vendida por 0,01€/kg na lota de Quarteira. No entanto, o preço médio e o preço máximo do mesmo tipo de pescado nesse dia foram de 0,42€/kg e 2,00€/kg, respetivamente.
Questionado pelo Polígrafo, o Ministério da Agricultura e do Mar confirmou que neste dia foram realmente vendidos 97,4 quilos de cavala (tamanho 4 e grau de frescura B) ao preço de apenas um cêntimo por quilo, provenientes desta embarcação. “Foram vendidos 6.991 kg de cavala na lota de Quarteira, tendo esta quantidade (97,4 quilos) sido a única vendida a 0,01€/kg a nível nacional”, explicou.
O Ministério esclareceu que estes preços em lota são influenciados pela relação entre a oferta e a procura, sendo que o “mercado nem sempre consegue absorver toda a quantidade de pescado disponível aos preços mais favoráveis para o produtor”. O leilão eletrónico, no qual o preço resulta da licitação entre compradores, é uma das modalidades de venda em lota.
No mesmo dia que vendeu peixe a 0,01€/kg, a embarcação “Ti Maria” vendeu cavala T1 por 1,75€/kg, cavala T2 por 1,70€/kg e cavala T3 por 0,52€/kg.
Já a nível nacional, o preço médio da cavala neste dia foi de 0,65€/kg e nessa semana foi de 0,55€/kg.
Ou seja, verificou-se de facto uma venda de cavala a 0,01€/kg. Contudo, este valor não reflete o preço médio praticado nem representa uma tendência generalizada. Por essa razão, atribuímos a avaliação de “verdadeiro, mas” a esta alegação.
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Avaliação do Polígrafo

