A banda tem uma história tão incaracterística como a pseudo-batalha legal com os correios americanos, que acabou num acordo de colaboração de enorme cumplicidade. Comecemos pelo início. Ben Gibbard, músico, compositor, guitarrista e vocalista da banda indie Death Cab for Cutie começou a trocar ideias com Jimmy Tamborello, DJ e músico na área da eletrónica, mais conhecido pelo seu nome artístico Dntel. Acontece que, apesar de estarem ambos na costa oeste dos EUA,  entre eles existia uma distância enorme que criava sérias barreiras de comunicação. Em 2001 Gibbard começou a enviar CDs com algumas ideias musicais para Tamborello e este respondia na mesma moeda. Como o primeiro estava em Seattle, no topo norte dos EUA, e o segundo em Los Angeles, perto do limite sul do país, os quase 2 mil quilómetros que os separavam eram encurtados graças à ajuda dos correios, o principal elo de ligação artística e criativa entre ambos.

O “ping-pong” começou em 2001. “Enviavam um ao outro música por correio e iam completando as canções pedaço a pedaço. Após cerca de 5 meses, tinham feito um álbum”, escreve o "New York Times".

Como forma de homenagear a equipa profissional que permitiu a realização do disco, Gibbard e Tamborello decidiram chamar à nova banda The Postal Service, tendo editado “Give Up” no início de 2003 com etiqueta Sub Pop Records, a mesma que lançou os Nirvana. É este o disco que tem a faixa “Such Great Heights”, a canção mais popular dos Postal Service.

Terão vendido quase 400 mil cópias do disco, assumindo-se como o segundo disco mais vendido de sempre daquela editora, depois de ‘Bleach’, dos Nirvana”, de acordo com o New York Times.

Tudo corria bem até que, num dia de agosto de 2003, chegou ao escritório da editora uma carta dos serviços postais americanos a exigir que a banda desistisse de usar o nome “The Postal Service”. O tom da carta era “muito educado”, revela Tony Kiewel, então responsável pelo catálogo da Sub Pop (hoje é co-presidente), ao New York Times. “Dizia que ‘Postal Service’ é uma marca registada da United States Postal Service” e que apesar de estarem muito, muito lisonjeados por estarmos a usar o nome deles, iriam fazer valer os seus direitos legais.” isto é, a banda teria que ser rebaptizada e o stock de discos destruído.

Caminhamos, a passos largos, para o final da história mas o desfecho tem pouco a ver com o cenário catastrofista antes descrito. A Sub Pop e a United States Postal Service acabariam por assinar um acordo que permitiu a Gibbard e Tamborello continuarem a usar o nome The Postal Service. Em troca, estes comprometeram-se a atuar ao vivo num evento dos correios americanos e outras iniciativas de marketing em que a USPS possa capitalizar a utilização do seu nome. Em declarações ao New York Times, Gary Thuro, do gabinete de comunicação da USPS e responsável pelos licenciamentos e promoção da marca, confessou que a estratégia de permitir a utilização do nome tem vantagens. “Estamos sempre em busca de formas de aumentar a notoriedade da marca especialmente em áreas onde tipicamente não conseguimos estar, como os adolescentes e o público na casa dos 20 anos que utilizam principalmente a internet - fazem tudo online - e não estão familiarizados com os serviços postais.”

Do lado da banda o acordo também foi muito bem recebido. “Assim que perceberam como o nosso disco foi feito, através do correio, decidiram passar a colaborar connosco”, disse Jimmy Tamborello à Entertainment Weekly.

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