Foi após a morte de Kurt Cobain, em 1994, que este estranho e trágico Club 27 começou a ganhar maior dimensão mediática. Quando o líder dos Nirvana decidiu suicidar-se tinha 27 anos. Tantos quantos Amy Winehouse, que perdeu a vida, em 2011. E os mesmos 27 que contavam Jimi Hendrix, Jim Morrison ou Janis Joplin quando desapareceram. Uma lista, longa que transborda talento e não fica por aqui.

Os 27 são uma questão estatística - ou não tanto, como percebermos mais à frente - e de talento, também.

Olhando para as percentagens, quem conseguir ultrapassar fasquia dos 27 pode celebrar, mas não de forma muito efusiva. Terá, estatisticamente, mais 29 anos pela frente. Caminho livre de quase três décadas até à próxima “guilhotina”: os 56 anos.

É o que mostra um estudo de Dianna Kenny, professora de Psicologia e Música da Universidade de Sydney, Austrália, citado pelo Independent. Ou seja, são os 56 - e não os 27 - que “matam” mais artistas rock. O título do texto publicado naquele jornal é claro: “Por que o Club 27 é um mito: Jimi Hendrix e Amy Winehouse podem ser membros mas isso não o torna real”

O estudo completo da académica australiana, publicado na plataforma “The Conversation” - projeto online para a partilha de conhecimento fundado por um conjunto de universidades - desconstrói aquilo que apelida de “mito” com estatísticas assentes num historial de 70 anos.

Kenny começa por nos lançar uma pergunta simples listando conjuntos de artistas: “O que têm em comum Otis Redding, Gram Parsons, Nick Drake, Jimmy McCulloch, James Ramey (aka Baby Huey), Bryan Osper e Jon Guthrie?

E Tim Buckley, Gregory Herbert, Zenon de Fleur, Nick Babeu, Shannon Hoon, Beverly Kenney e Bobby Bloom?

Ou Alan Wilson, Jesse Belvin, Rudy Lewis, Gary Thain, Kristen Pfaff, Ron “Pigpen” McKernan, Pete de Freitas, Raymond “Freaky Tah” Rogers, Helmut Köllen, e Linda Jones?

São, todos, artistas da música já desaparecidos. O primeiro grupo morreu aos 26 anos; o segundo aos 28; e o terceiro aos 27.”

Grafico Mortalidade na musica
créditos: theconversation.com

Ao analisar o conjunto de músicos desaparecidos cuja data de morte está devidamente identificada ao longo de um período de sete décadas - entre 1950 e 2010 -, Dianna Kenny concluiu o seguinte: 1,2% morreu aos 26; 1,4% aos 28; e 1,3% aos 27. A idade mais fatal para quem anda no mundo da música são mesmo os 56 anos - 2,2% dos casos.

Contudo, olhando para o gráfico desenvolvido por Kenny, percebe-se que não existe um padrão claro que permita definir uma idade específica em que os rockers morrem mais. Podemos ver, na pirâmide que resulta daquele estudo, que entre os 45 e os 68 anos existe uma probabilidade de morte estatisticamente maior.

O estudo deixa evidente que os 27 não são a idade mais perigosa para os artistas rock. Mas se juntarmos esta variável ao talento efetivo e exposição mediática, este Club 27 poderá fazer mais sentido. A lista, abaixo, foi feita pela “Rolling Stone” e ajuda a perceber porquê:

Brian Jones
Guitarrista, fundador dos Rolling Stones. Foi encontrado morto no fundo da sua piscina. A sua morte mantém-se envolta em mistério até aos dias de hoje. Citado pela "Rolling Stone", Keith Richards disse o seguinte: “Não sei o que aconteceu, mas passou-se ali algo de muito estranho.”

Jimi Hendrix
Guitarrista carismático, foi vítima de uma dose excessiva de barbitúricos. De acordo com a “Rolling Stone” o fármaco usado dá pelo nome de Vesparax e meio comprimido é suficiente para deixar uma pessoa comum a dormir durante 8 horas. Hendrix teria ingerido 9.

Janis Joplin
Morreu a 4 de outubro de 1971, no quarto 105 do Landmark Hotel, em Los Angeles, depois de ter injectado uma dose de heroína.

Jim Morrison
A morte de Morrison reforçou a teoria dos 27 e colocou-o no mesmo patamar de excelência do trio notáveis acima referidos. Foi encontrado morto na banheira do apartamento onde vivia, em Paris, em 1971.

Dave Alexander
Baixista fundador dos Stooges. O abuso das drogas esteve na origem do seu afastamento da banda - foi despedido por Iggy Pop. Foram as drogas - ou as consequência do abuso - que o conduziram à morte, em 1975.
A “Rolling Stone” cita Ron Asheton, guitarrista dos Stooges: “Ele foi o catalisador de muito o que foram os Stooges. Estava muito à frente do seu tempo.”

Kurt Cobain
“A 8 de abril [de 1994], pouco antes das 9 da manhã, o corpo de Kurt Cobain foi encontrado numa estufa, acima da garagem da sua casa, em Seattle. Tinha sobre o peito uma espingarda de calibre 20 com a qual o cantor, guitarrista e compositor terminou a sua vida. Cobain estava desaparecido há seis dias”. Assim começa o texto de Neil Strauss publicado na “Rolling Stone” em junho de 1994 com o título “A espiral descendente de Kurt Cobain: os últimos dias do líder dos Nirvana”.

Amy Winehouse
“Ao observar a Amy como nós fizemos”, escreve a “Rolling Stone”, "há uma forte sensação de que ela estava cansada da sua carreira. Tal como sucedeu com Jimi Hendrix e Kurt Cobain, tornou-se prisioneira da sua própria imagem. E sucedeu com Janis Joplin, o seu homem estava ostensivamente ausente no final da sua vida”. Foi encontrada morta na sua casa em Camden, Londres, em 2011."

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