Quando, no início dos anos 70, Eric Clapton decidiu lançar a carreira a solo, depois dos Yardbirds, dos Cream e dos Blind Faith (com Steve Winwood), houve uma figura fulcral naquele período. Uma espécie de alinhamento de astros que acabaria por juntar o génio criativo de JJ Cale e Clapton. Numa entrevista concedida à AP, citada pelo Telegraph, o guitarrista britânico recorda aquela fase da sua carreira: “Eu estava num período sombrio da minha vida em que estava ausente. Foi o momento em que as primeiras canções de JJ Cale estavam a surgir. Eu estava a tentar livrar-se dessa coisa de ser lenda da guitarra. Era uma forma tão redutora de ver as coisas. Não queria ter nada a ver com isso. Queria ver o virtuosismo, voltar aos fundamentos da guitarra e ele era um fundamentalista. E foi assim que ele se tornou o meu farol”. Esta entrevista foi concedida em 2014, após a morte de JJ Cale, aos 74 anos.

A revista “Paste” também cita Clapton quando esta classifica JJ como “um dos mais importantes artistas da história do rock.” Para ele foi, confessou, o melhor entre os melhores, na década de 70. “Nos anos 70 era o JJ, o Bob Marley e o Stevie Wonder. Aqueles eram os os meus refúgios, os portos seguros, reais e criativos. Para mim, de entre os três, ele [Cale] era aquele de quem sentia poder aproximar-me mais, se quase seguir aqueles caminhos.”

Eric Clapton não foi o único a beber da fonte criativa de JJ Cale. Santana, Allman Brothers, Johnny Cash, Tom Petty, Captain Beefheart ou Lynyrd Skynyrd são nomes que interpretaram canções escritas assinadas pelo autor de “Cocaine”.

Eric Clapton
Eric Clapton, 1978

Quanto ao rocker que celebrizou aquela canção, é o único artista a figurar três vezes no Rock & Roll Hall of Fame: em nome individual e como elemento dos Yardbirds e dos Cream. Eric Clapton é um dos guitarristas mais influentes do rock - tem 18 prémios Grammy, um deles partilhado com Cale, pelo disco “Road to Escondido”, de 2006 - e a revista "Rolling Stone" atribuiu-lhe o segundo lugar na sua lista dos 100 maiores guitarristas de todos os tempos. A revista "Time" classificou-o como o 5º melhor guitarrista em 2009 e a Gibson, fabricante das icônicas guitarras, colocou-o no quarto posto da sua lista dos 50 melhores guitarristas de sempre. As três listas são lideradas por Jimi Hendrix.

Clapton, e um grupo de outros artistas de renome que reuniu, acabaria por gravar um disco em homenagem a JJ Cale - “The Breeze: An Appreciation of JJ Cale” -, uma ideia quem de acordo com o Telegraph, terá surgido durante a viagem de 12 horas que fez para comparecer ao funeral do amigo.

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